31 de julho de 2025
SAÚDE

Leucocoria: o sinal ocular que pode salvar a vida de crianças e exige atenção imediata

Reflexo branco na pupila, detectável em fotos ou ao exame médico, pode indicar desde catarata congênita até retinoblastoma. Teste do olhinho é obrigatório e deve ser repetido anualmente até os 5 anos

Por Redação
Publicado em
Reflexo branco nos olhos: entenda condição que assusta pais - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A leucocoria, popularmente conhecida como "pupila branca" ou "reflexo de olho de gato", é um sinal oftalmológico que demanda atenção imediata e pode indicar condições graves na visão infantil. Caracterizada pela aparência esbranquiçada da pupila – em substituição à cor negra usual –, pode ser perceptível a olho nu em casos evidentes ou apenas através de fotografias com flash, quando um olho apresenta reflexo branco diferente do outro.

De acordo com a oftalmologista Rosa Maria Graziano, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), a leucocoria é uma emergência médica que não pode ser negligenciada:
– Muitas vezes indica urgência no tratamento. Pode ser catarata congênita ou retinoblastoma, um tumor maligno. Esse sinal não salva apenas o olho, mas a vida da criança – alerta.

Importância do teste do reflexo vermelho

O teste do olhinho (ou teste do reflexo vermelho) é lei em quase todos os estados brasileiros e deve ser realizado entre 48h e 62h após o nascimento, sendo repetido pelo menos três vezes ao ano até a criança completar 5 anos, conforme diretriz do Ministério da Saúde. Qualquer assimetria no reflexo entre os olhos é considerada significativa e exige investigação.

Como funciona o reflexo vermelho

Em condições normais, quando a luz penetra no olho, a retina absorve a maior parte dela e reflete um tom alaranjado-avermelhado. Anormalidades oculares – como tumores, cataratas ou descolamento de retina – impedem que a luz atinja a retina adequadamente, resultando em reflexo branco ou ausente.

Diagnóstico e condições associadas

Oftalmologistas utilizam oftalmoscópios e colírios dilatadores para examinar o fundo do olho e identificar a causa subjacente. Entre as possíveis origens da leucocoria estão:

  • Catarata congênita
  • Retinoblastoma (tumor maligno)
  • Descolamento de retina
  • Infecções intraoculares
  • Anomalias vasculares da retina

A SBOP ressalta que, embora muitas crianças encaminhadas por reflexo anormal apresentem exames normais ou alterações benignas, toda suspeita de leucocoria justifica avaliação oftalmológica urgente e completa. O diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento e a preservação da visão – e em casos como o retinoblastoma, da própria vida.

Para famílias e cuidadores

Recomenda-se observar fotografias com flash e ficar atento a assimetrias no brilho ocular entre as crianças. Na dúvida, procurar imediatamente um oftalmologista.