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    Saiba quais produtos devem ficar mais caros para os americanos após ‘tarifaço’ de Trump

    Cerca de 7 itens devem ficar mais caros; café e carne fazem parte da lista

    há 21 dias
    Saiba quais produtos devem ficar mais caros para os americanos após ‘tarifaço’ de Trump

    Assinado nessa quarta-feira (30/7) a ordem executiva que institui tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que entrarem nos Estados Unidos passou a valer a partir do dia 6 de agosto. O tarifaço de Donald Trump acompanha de uma lista de isenções com quase 700 itens, mas cerca de 3,8 mil itens ainda estariam sujeitos à sobretaxa de 50%.


    O centro de pesquisa da Universidade de Yale, em uma análise publicada na segunda-feira (28/7), o The Budget Lab, previa, com todas tarifas anunciadas até aquela data, um aumento da inflação americana de 1,8% no curto prazo (antes de os consumidores mudarem seus hábitos em reação às tarifas, conforme o parâmetro usado pela pesquisa), o equivalente à perda de US$ 2.400 (cerca de R$ 13,4 mil) por domicílio em 2025.


    A BBC News Brasil cruzou dados da lista de produtos tarifados com informações da US International Trade Commission (Comissão de Comércio Internacional dos EUA) e do Observatory of Economic Complexity (Observatório da Complexidade Econômica) para entender quais produtos podem ficar mais caros para os americanos diante da medida contra o Brasil.


    Conheça 7 deles a seguir:


    Café


    O Brasil é de longe o maior fornecedor, respondendo por cerca de um terço de tudo o que é importado para os Estados Unidos. 


    Em entrevista recente à BBC News Brasil, o ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ Welber Barral pontuou que, justamente pela importância do café brasileiro na pauta de importação dos EUA, acreditava que o país teria dificuldade para encontrar um substituto.


    A Colômbia é o segundo maior vendedor de café para os EUA e está sujeita a uma tarifa bem mais baixa que a do Brasil, de 10%.


    O país é responsável, contudo, por apenas 8% da produção global da commodity, enquanto o Brasil concentra 37% de todo o café cultivado no mundo.


    O café brasileiro foi destacado em uma análise recente do centro de pesquisa sobre políticas fiscais Tax Foundation que argumentava que as tarifas impostas por Trump levariam ao aumento de preços de alimentos para os americanos.


    Manga e goiaba


    A análise do Tax Foundation destaca o Brasil como quarto maior fornecedor de alimentos para os EUA, com US$ 7,4 bilhões em importações, atrás de União Europeia (US$ 31 bilhões), México (US$ 17,6 bilhões) e Canadá (US$ 15,6 bilhões).


    Conforme os dados do Observatório de Complexidade Econômica, o país é também o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas (que estão juntos na nomenclatura de mercadorias usada no comércio exterior) para os americanos, tendo embarcado cerca de US$ 56 milhões desses produtos ao país em 2024.


    Carne


    O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e responde por 23% das importações americanas do produto, segundo cálculo da Genial Investimentos.


    Os EUA são o segundo maior mercado para o produto brasileiro, atrás apenas da China.


    A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) já se manifestou dizendo que uma tarifa adicional de 50% poderia inviabilizar as vendas ao mercado americano.



    Açúcar orgânico


    No caso do açúcar orgânico, os EUA importam praticamente tudo o que consomem — e o Brasil foi responsável por 49% do que entrou no país entre 2023 e 2024, seguido do Paraguai (19%) e da Colômbia (13%), conforme os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).


    A Organic Trade Association, que representa o setor de orgânicos dos EUA, alertou que o aumento de custo com as tarifas pode comprometer diversas cadeias de produção.


    Para terem o selo de certificação de orgânico pela USDA, os produtos que levam açúcar têm que ser produzidos com açúcar orgânico.


    Chocolate


    O cacau é outra commodity que os EUA praticamente não cultivam, à exceção de uma produção modesta no Havaí e em Porto Rico.


    O Brasil, por sua vez, é importante fornecedor de manteiga de cacau para os americanos, uma das principais matérias-primas do chocolate.


    Conforme os dados do Observatório da Complexidade Econômica, embarcou o equivalente a US$ 61,4 milhões do produto, ocupando o quinto lugar de uma lista que inclui Indonésia (US$ 308 milhões), Malásia (US$ 275 milhões), Peru (US$ 138 milhões) e Índia (US$ 88 milhões).


    O preço do chocolate já vem subindo no mundo inteiro, devido especialmente ao impacto de condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras de cacau, como o oeste da África, e a pragas como o cacao swollen shoot virus (CSSV).


    Carros


    O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço aos EUA (atrás apenas do Canadá), e é o maior exportador de nióbio, matéria-prima usada nas ligas de aço que vão no chassi e na barra de proteção aos passageiros nas portas.


    Essa alta deve ter impacto em diversos setores. Um deles é o automotivo, que usa uma série de commodities metálicas exportadas pelo Brasil.


    O aço, assim como o alumínio, já tinha sido alvo de uma tarifa global de 50% imposta em junho.


    Encarecendo o preço das importações, Trump espera revitalizar a indústria siderúrgica americana, uma de suas promessas de campanha alimentadas pelo slogan Make America Great Again ("faça a América grande novamente", em tradução literal).


    Foto: Reprodução/CIAT/CCommons


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