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    Geração não-IA: Maioria dos brasileiros não usa apps de Inteligência Artificial

    Levantamento mostra que Brasil ignora a inovação e ainda não abraçou as ferramentas de IA

    há 9 dias
    Geração não-IA: Maioria dos brasileiros não usa apps de Inteligência Artificial

    Por: Redação


    A Inteligência Artificial (IA) é uma realidade cotidiana no Brasil, mas seu entendimento pela população ainda é superficial e marcado por contradições. É o que revela uma pesquisa inédita do Instituto DataFolha, realizada em conjunto com o Observatório da Fundação Itaú. O estudo traça um panorama detalhado da relação do brasileiro com uma tecnologia que já está embutida em seus hábitos, mesmo que ele não perceba.


    O dado mais emblemático dessa presença "invisível" da IA mostra que 89% dos entrevistados utilizam plataformas como Netflix e YouTube, que dependem fortemente de algoritmos de recomendação. No entanto, ao serem questionados sobre o uso ativo de ferramentas de IA generativa—aquelas que criam texto, imagem ou som—o cenário muda drasticamente: 57% nunca usaram um chatbot de texto como ChatGPT ou Gemini, e 69% nunca geraram uma imagem artificial.


    O desconhecimento sobre o conceito em si também é significativo. Embora 82% dos brasileiros afirmem já ter ouvido falar em IA, quase metade (46%) admite não saber o que o termo realmente significa. Apenas 18% declararam nunca ter tido qualquer contato com a expressão, indicando que a penetração do tema na mídia foi eficaz, mas não a compreensão do seu funcionamento.


    No campo profissional, a visão sobre a IA é ambivalente e carregada de apreensão. Quase metade da população (49%) acredita que a tecnologia representa uma ameaça real ao seu emprego. Esse temor parece ter fundamento na experiência coletiva: 41% dos entrevistados disseram já ter tomado conhecimento de casos em que trabalhadores foram substituídos por sistemas de inteligência artificial.


    Apesar do medo, os brasileiros também enxergam o potencial positivo da ferramenta. Para 41%, a IA pode ser um valioso apoio para a ciência e a educação, e 39% veem seu uso como promissor para melhorar a precisão de diagnósticos médicos. Um dado curioso aponta um uso mais íntimo da tecnologia: 45% já recorreram a alguma forma de IA para buscar auxílio em questões emocionais, sendo que a maioria (58%) relatou que a experiência foi benéfica.


    Os números evidenciam que o contato do brasileiro com a IA é majoritariamente passivo, limitado ao consumo de conteúdos curados por algoritmos. Especialistas alertam que este distanciamento do uso ativo pode ampliar a desinformação sobre os reais riscos—como chatbots que geram conteúdo inadequado ou até mesmo falhas de segurança que permitem à IA simular ataques hackers—e o potencial transformador dessa tecnologia que veio para ficar.


    Foto: Reprodução/Internet

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