Por redação
O programa Bolsa Família foi associado a quedas expressivas nos casos e mortes por aids entre mulheres no Brasil. Segundo um estudo publicado na revista Nature Human Behavior, o benefício reduziu a incidência da síndrome em 47% e a mortalidade em 55%. O impacto foi ainda maior entre mulheres pardas, pretas, de baixa renda e baixa escolaridade, revelando como políticas sociais podem combater desigualdades em saúde.
A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), em parceria com instituições dos EUA e do Brasil, analisou dados de 12,3 milhões de mulheres beneficiárias entre 2007 e 2015. Entre as filhas de mulheres atendidas pelo programa, a queda na incidência de aids foi de 47%, e a mortalidade caiu 55%. Já entre as mães, as reduções foram de 42% e 43%, respectivamente.
“Nossas descobertas mostram que esses programas não apenas reduzem os riscos de HIV e as mortes relacionadas à aids, mas também apoiam o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável. No atual contexto global de aumento das desigualdades e das taxas de pobreza, os programas de transferência de renda têm o potencial de reduzir significativamente a morbidade e a mortalidade por aids, especialmente entre populações com múltiplas vulnerabilidades”, afirma Davide Rasella, pesquisador do ISGlobal e coordenador do estudo.
Como o HIV e a aids afetam a População?
O vírus HIV ataca o sistema imunológico e, sem tratamento, pode evoluir para a aids, estágio mais avançado da infecção. Embora não haja cura, o tratamento antirretroviral permite que pessoas vivam com qualidade de vida e carga viral indetectável, sem transmitir o vírus.
A transmissão ocorre por relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e de mãe para filho durante o parto. Beijos, suor e contato íntimo com preservativo não transmitem HIV. O SUS oferece testes rápidos e a PrEP (profilaxia pré-exposição), um medicamento diário que previne a infecção.
Impacto do Bolsa Família na Prevenção e Tratamento
As condicionalidades do programa, como frequência escolar e acompanhamento médico, reforçaram seu efeito positivo. Mulheres em extrema pobreza, mas com mais anos de estudo, tiveram reduções de até 56%.
O Bolsa Família também fortalece a segurança alimentar e o acesso à saúde, fatores que melhoram a imunidade e incentivam o diagnóstico precoce. Ações educativas sobre saúde sexual e reprodutiva foram decisivas para os resultados.
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