31 de julho de 2025
saúde

Estudo aponta potencial do princípio ativo do Viagra no bloqueio da metástase do câncer

Pesquisa desenvolvida demonstra que o fármaco interfere diretamente no metabolismo das células cancerígenas, reduzindo a capacidade de migração delas para outros órgãos

Por Redação
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Pesquisa desenvolvida demonstra que o fármaco interfere diretamente no metabolismo das células cancerígenas, reduzindo a capacidade de migração delas para outros órgãos - Foto: Magnific

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto Weizmann de Ciência e publicada na revista científica Cancer Research identificou que o sildenafil, princípio ativo do medicamento Viagra, possui propriedades capazes de conter a metástase tumoral. O estudo demonstra que o fármaco interfere diretamente no metabolismo das células cancerígenas, reduzindo a capacidade de migração delas para outros órgãos.

O mecanismo biológico descrito na investigação aponta que a inibição da enzima PDE5a pelo sildenafil eleva os níveis da molécula cGMP. Esse aumento faz com que a molécula se ligue ao transportador de colesterol NPC1 no interior dos lisossomos, gerando um acúmulo de gordura dentro dessas organelas. Como consequência, a célula tumoral fica privada de insumos necessários para a formação de membranas celulares e para a geração de energia mitocondrial, perdendo a mobilidade necessária para se espalhar pelo organismo.

O efeito de bloqueio da metástase foi registrado em modelos laboratoriais de câncer de mama, pulmão e cólon. Paralelamente aos testes em laboratório, os pesquisadores analisaram prontuários médicos de mais de 40 mil pacientes e identificaram uma associação entre o uso frequente de sildenafil e o aumento nas taxas de sobrevida.

Combinação com estatinas e próximos passos

Os dados do estudo indicam ainda que a resposta terapêutica foi ampliada quando o sildenafil foi administrado em conjunto com estatinas, medicamentos tradicionalmente prescritos para o controle dos níveis de colesterol no sangue.

Os autores do trabalho pontuam que, por se tratar de um estudo observacional e experimental, a prática do reposicionamento desse fármaco na oncologia ainda depende da realização de ensaios clínicos específicos em seres humanos para comprovar a segurança e a eficácia da substância como tratamento complementar.