Terapia alimentar transforma aprendizado em autonomia na Casa do Autista de Maceió
Atividade de terapia alimentar estimula autonomia, comunicação e desenvolvimento sensorial de crianças e adolescentes com TEA
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Preparar uma receita pode parecer uma atividade simples do dia a dia. Na Casa do Autista de Maceió, no entanto, cada etapa do preparo de um alimento se transforma em uma oportunidade para estimular o desenvolvimento, fortalecer a autonomia e ampliar a relação de crianças e adolescentes com os alimentos. Foi com esse propósito que assistidos participaram de uma oficina de terapia alimentar, na qual prepararam cupcakes de banana, vivenciando todas as etapas da receita de forma lúdica, segura e planejada.
Da escolha dos ingredientes ao momento de acompanhar o bolo assando, os participantes descascaram e amassaram as bananas, misturaram os ingredientes, exploraram diferentes texturas, aromas e temperaturas e observaram a transformação dos alimentos durante o preparo. Mais do que uma atividade culinária, a experiência foi cuidadosamente estruturada para estimular aspectos sensoriais, motores, cognitivos e de comunicação.
De acordo com a fonoaudióloga da Casa do Autista, Hyasmin Carvalho, a proposta da terapia alimentar vai muito além da alimentação em si. "A terapia alimentar permite que a criança ou o adolescente se aproxime dos alimentos de maneira natural, respeitando seu tempo e sem a pressão de precisar comer. Para pacientes com seletividade alimentar ou alterações no processamento sensorial, manipular os ingredientes, sentir as diferentes texturas, perceber os aromas e acompanhar cada etapa da receita favorece uma dessensibilização sensorial gradual, reduz a ansiedade e aumenta a previsibilidade em relação ao alimento que será consumido", detalha.
A especialista explica que o trabalho também faz parte da atuação fonoaudiológica, contribuindo para diferentes áreas do desenvolvimento. "Durante atividades como essa, estimulamos o planejamento motor, a coordenação dos movimentos finos, as funções orofaciais e sensoriais, além da linguagem funcional. Enquanto prepara a receita, a criança amplia o vocabulário, fortalece a comunicação, desenvolve autonomia e aprende novas formas de interação com o ambiente", explica.
Cada atendimento é planejado de forma individualizada, levando em consideração o perfil sensorial, motor e comportamental de cada usuário. As receitas são escolhidas para possibilitar uma aproximação gradual dos alimentos, respeitando limites, preferências e possíveis restrições alimentares. O objetivo é construir experiências positivas, sem imposições, tornando o momento do preparo uma ferramenta terapêutica capaz de promover segurança e confiança.
Para a diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciúncula, iniciativas como essa demonstram a importância de uma assistência multiprofissional integrada. "O cuidado com a pessoa autista exige um olhar ampliado e estratégias que façam sentido para a realidade de cada paciente. Quando diferentes profissionais atuam de forma conjunta, conseguimos promover experiências que desenvolvem habilidades, fortalecem a autonomia e proporcionam mais qualidade de vida para as crianças, os adolescentes e suas famílias", pontua.
A gerente-geral da Casa do Autista de Maceió, Fabiana Lisboa, destaca que o diferencial da unidade está justamente na construção de um cuidado individualizado e acolhedor. "Cada atividade desenvolvida na Casa do Autista tem um propósito terapêutico e é pensada para estimular o potencial de cada paciente. Nosso compromisso é oferecer um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor, onde o desenvolvimento acontece de forma gradual, valorizando cada conquista e fortalecendo também o vínculo com as famílias", acrescenta.
Com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, a Casa do Autista segue ampliando o olhar sobre o cuidado, entendendo que acolher as famílias também é uma forma de promover saúde, inclusão e qualidade de vida para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Como ter acesso
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e os documentos do responsável legal.
Após essa etapa, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos, priorizando pacientes que ainda não estão inseridos na rede pública especializada e que aguardam atendimento na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Em seguida, os usuários são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a Casa do Autista. Caso a demanda seja superior à capacidade de atendimento, os pacientes permanecem em fila de espera, obedecendo critérios técnicos e de prioridade.