31 de julho de 2025
saúde

Casais adotam quartos separados como estratégia para melhorar a qualidade do sono; entenda

Fatores biológicos e de rotina incompatibilidade de horários de trabalho e divergências quanto à temperatura do ambiente são os principais motivadores para a separação desses espaços noturnos

Por Redação
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Fatores biológicos e de rotina incompatibilidade de horários de trabalho e divergências quanto à temperatura do ambiente são os principais motivadores para a separação desses espaços noturnos - Foto: Shutterstock

O hábito de dormir em camas ou quartos separados, termo que recebeu a denominação de "divórcio do sono", tem sido utilizado por casais como uma alternativa para manter a qualidade do descanso. A prática, que envolve relatos públicos de atrizes internacionais como Cameron Diaz, Gwyneth Paltrow, Sarah Paulson e Olivia Wilde, baseia-se na busca por bem-estar físico e mental.

O psicólogo e doutor pela PUC-Rio André Machado aponta que a medida consiste em uma decisão consciente voltada à proteção do repouso de um ou de ambos os integrantes da relação, sem vinculação com rupturas afetivas. Fatores biológicos e de rotina, tais como ronco, apneia do sono, movimentos involuntários na cama, incompatibilidade de horários de trabalho e divergências quanto à temperatura do ambiente, são os principais motivadores para a separação dos espaços noturnos.

Historicamente, a divisão de aposentos entre cônjuges já era registrada em períodos como a era vitoriana e entre famílias de maior poder aquisitivo por critérios de higiene e conforto. O panorama atual, contudo, reflete um debate centrado na saúde pública. A psicóloga Regina Vera assinala que a disseminação do termo contribuiu para retirar o tema do ambiente privado e inseri-lo nas discussões públicas sobre qualidade de vida.

Dados estatísticos e avaliação de cenários


Dados de levantamentos internacionais indicam a incidência da prática. Segundo as pesquisas citadas por Machado, aproximadamente um terço dos adultos que vivem em união estável nos Estados Unidos dormem em camas separadas com alguma frequência. Um estudo de abrangência global apurou que cerca de 18% dos casais mantêm essa configuração de forma permanente. No mercado brasileiro, embora não existam dados estatísticos consolidados, profissionais de psicologia e medicina do sono relatam demandas regulares sobre o tema em consultórios.

Os especialistas ressaltam que a ausência de privação crônica de sono atua na redução da irritabilidade e no manejo de tensões diárias. Todavia, os profissionais advertem que o modelo requer concordância mútua e não deve ser empregado como mecanismo para evitar a resolução de conflitos preexistentes no relacionamento. A recomendação técnica orienta que, antes da mudança definitiva, os indivíduos investiguem eventuais distúrbios biológicos do sono e preservem os períodos de convivência afetiva.