Itamaraty nega vistos e barra comitiva do governo Trump no Brasil
Integrantes do Departamento de Estado dos EUA pretendiam questionar sistema eleitoral brasileiro a poucos meses do pleito
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O Ministério das Relações Exteriores negou a concessão de vistos de entrada a dois funcionários do governo de Donald Trump que planejavam desembarcar no país nos próximos dias. A decisão do Itamaraty ocorre em meio à repercussão de revelações feitas pela imprensa internacional sobre os reais objetivos da comitiva em solo brasileiro.
Segundo reportagem do jornal The Washington Post, o secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, Riley Barnes, e o subsecretário-assistente Samuel Samson pretendiam articular ações para contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas e a lisura do sistema eleitoral.
Ambos os diplomatas respondem diretamente ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Nos bastidores do governo federal, a avaliação é de que a visita visava municiar e reforçar a narrativa contra o sistema eletrônico de votação, recentemente reativada em declarações de lideranças da oposição.
A tentativa de envio da comitiva gerou forte reação no Poder Judiciário. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal classificaram a iniciativa como uma interferência indevida e uma tentativa de colocar em xeque o processo democrático brasileiro.
Interlocutores do Executivo e do Judiciário ponderaram que o Brasil mantém tradição em receber missões de observação internacional para intercâmbio de experiências e acompanhamento das eleições. No entanto, ressaltaram que a atuação de representantes estrangeiros com o objetivo deliberado de contestar as instituições eleitorais do país desacredita os protocolos diplomáticos e justifica a recusa dos vistos por parte do governo brasileiro.