31 de julho de 2025
RESPOSTAS

TSE nega mais uma vez ligação entre urnas brasileiras e empresa citada por Flávio Bolsonaro

Senador repetiu para embaixadores em Brasília informação já desmentida sobre a Smartmatic, mesmo tipo de fala que levou seu pai à inelegibilidade em 2022

Por Redação
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Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro - Foto: Getty Images

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a esclarecer um ponto que já havia sido desmentido oficialmente há anos: a empresa Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. A reafirmação veio depois que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) citou a empresa em uma reunião com embaixadores estrangeiros, nesta terça-feira (21), em Brasília, encontro revelado pelo Broadcast Político.

Até o momento, o TSE não se manifestou diretamente sobre as declarações feitas por Flávio no evento. Mas, quando procurado sobre o assunto, o Tribunal enviou uma matéria de 2020 que já tratava exatamente desse ponto.

"Em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras."

O que Flávio disse aos embaixadores

Durante o encontro em Brasília, que reuniu representantes de embaixadas de países como Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido, além de outras 35 nações, Flávio levantou suspeitas sobre a origem das urnas eletrônicas usadas no Brasil, associando o sistema à Smartmatic, empresa de origem venezuelana.

"Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", afirmou o senador durante sua fala.

Apesar da alegação, ele tentou equilibrar o discurso, afirmando confiar no processo eleitoral brasileiro e defendendo maior presença de observadores internacionais nas eleições no país.

"Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia."

Um discurso que ecoa episódio que custou caro ao pai

A fala de Flávio reacende um tema sensível para a família Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, já foi condenado à inelegibilidade pelo TSE justamente por espalhar informações falsas sobre as urnas eletrônicas em uma reunião com embaixadores, em 2022, situação parecida com a que Flávio protagonizou agora.

A repetição do tipo de discurso, mesmo diante de desmentidos reiterados por parte do TSE ao longo dos anos, reforça um padrão de questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro dentro do núcleo político da família, apesar da ausência de provas que sustentem a ligação entre a Smartmatic e as urnas usadas no país.