Taxa das blusinhas: remessas internacionais atingem recorde após fim do imposto federal
Receita Federal registra 28 milhões de remessas em junho; varejo mantém pressão contra mudança nas regras de importação
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O número de compras internacionais de produtos com valor inferior a US$ 50 alcançou um novo recorde em junho, após o fim da cobrança do imposto federal sobre esse tipo de remessa. Dados da Receita Federal apontam que foram registradas 28 milhões de encomendas no período, o maior volume já contabilizado para a categoria.
O resultado representa um crescimento de 107% em comparação com junho de 2025, quando foram registradas 13 milhões de remessas. Em relação a 2023, ano em que a tributação passou a vigorar com o programa Remessa Conforme, o avanço é ainda maior. Naquele período, o total foi de 8 milhões de encomendas.
Segundo a Receita Federal, o valor das remessas realizadas em junho chegou a US$ 574 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões. Os números indicam aumento da procura por compras internacionais de baixo valor após a alteração nas regras de tributação.
Apesar do fim do imposto federal de 20%, as compras continuam sujeitas à cobrança do ICMS, tributo estadual cuja alíquota média é de 17%. Dessa forma, as importações seguem sendo tributadas, ainda que com custo menor em relação ao modelo anterior.
Enquanto consumidores ampliam as compras em plataformas internacionais, representantes do varejo nacional mantêm atuação para tentar reverter a medida. O setor defende que a Medida Provisória que extinguiu o imposto federal perca a validade sem aprovação pelo Congresso Nacional.
Além da articulação no Legislativo, empresas do comércio varejista recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a mudança. O movimento ocorre em meio à expectativa de impactos provocados pelas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos do setor têxtil brasileiro.