Andy Burnham toma posse como primeiro-ministro e assume Reino Unido em meio à maior instabilidade política em décadas
Ex-prefeito de Manchester substitui Keir Starmer e se torna o sétimo premiê britânico em apenas dez anos, com promessa de recuperar a economia e conter o avanço da direita populista
Publicado em
O Reino Unido inicia um novo capítulo em sua política nesta segunda-feira (20) com a posse de Andy Burnham como primeiro-ministro. Líder do Partido Trabalhista, ele sucede Keir Starmer e passa a comandar o governo britânico em um período marcado por desafios econômicos, desgaste político e sucessivas trocas de chefes de governo.
Com a posse, Burnham torna-se o sétimo primeiro-ministro britânico em uma década, sequência iniciada após o referendo do Brexit, em 2016. A rápida alternância no poder é apontada por analistas como um reflexo da instabilidade política vivida pelo país nos últimos anos.
A cerimônia de transição ocorre após a renúncia de Keir Starmer, que deixou o cargo depois de perder apoio dentro do próprio Partido Trabalhista. Antes de seguir para a residência oficial em Downing Street, Burnham foi recebido pelo rei Charles III, que o convidou formalmente a formar o novo governo.
Em seu primeiro discurso como premiê, Burnham prometeu devolver estabilidade ao país, fortalecer os serviços públicos e enfrentar o alto custo de vida, considerado uma das principais preocupações da população britânica. O novo chefe de governo também afirmou que pretende descentralizar decisões de Westminster e ampliar o protagonismo das regiões na formulação de políticas públicas.
Ex-prefeito da Grande Manchester por quase uma década, Burnham ganhou projeção nacional durante a pandemia de Covid-19 ao confrontar o governo central em defesa de mais recursos para o norte da Inglaterra. A atuação lhe rendeu o apelido de "Rei do Norte" e consolidou sua imagem como uma das principais lideranças trabalhistas do país.
Entre os primeiros desafios do novo primeiro-ministro estão a formação do ministério, a recuperação do crescimento econômico, a redução do custo de vida e a tentativa de conter o avanço do partido Reform UK, legenda de direita que ampliou sua influência nos últimos meses e passou a representar uma ameaça eleitoral aos trabalhistas.