31 de julho de 2025
Câncer de intestino

Quase metade dos brasileiros que viram sangue nas fezes não procurou médico, revela pesquisa

Pesquisa mostra que brasileiros reconhecem sintomas, mas demoram a procurar atendimento

Por Redação
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Pesquisa aponta que muitos brasileiros reconhecem sintomas do câncer de intestino, mas adiam a busca por atendimento. - Foto: Reprodução

Embora a maioria dos brasileiros reconheça que sangue nas fezes pode ser um sinal de câncer de intestino, muitos ainda deixam de procurar atendimento médico diante desse sintoma. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Hospital A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.

O levantamento aponta que 67% dos entrevistados sabem que a presença de sangue nas fezes pode estar relacionada ao câncer colorretal, enquanto 80% consideram o sintoma um sinal de alerta grave. No entanto, esse conhecimento nem sempre resulta em uma investigação médica.

Segundo a pesquisa, 9% dos participantes afirmaram já ter percebido sangue nas fezes em algum momento da vida. Entre esse grupo, quase metade não procurou atendimento médico, comportamento que preocupa especialistas por reduzir as chances de diagnóstico precoce e aumentar o risco de evolução da doença.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, está entre os tumores mais frequentes no Brasil. Quando identificado nas fases iniciais, as possibilidades de tratamento eficaz e de cura são significativamente maiores.

Especialistas alertam que sintomas como sangue nas fezes não devem ser ignorados, mesmo quando aparecem apenas uma vez ou são atribuídos a problemas aparentemente simples, como hemorroidas.

Além do sangramento, outros sinais que merecem atenção incluem:

  • Alteração persistente no hábito intestinal;
  • Prisão de ventre ou diarreia prolongadas;
  • Presença de muco nas fezes;
  • Mudança no formato das fezes;
  • Dor abdominal frequente;
  • Perda de peso sem causa aparente.

Caso de Preta Gil ampliou debate sobre a doença

A pesquisa destaca que o diagnóstico da cantora Preta Gil ajudou a ampliar a conscientização sobre o câncer colorretal no país.

A artista tornou público o tratamento contra a doença e revelou que, antes do diagnóstico, apresentou sintomas como prisão de ventre persistente, sangue nas fezes, presença de muco e alterações no formato das fezes, que inicialmente não foram associados ao câncer.

Casos aumentam entre pessoas com menos de 50 anos

Outro dado que chama atenção é o crescimento da doença entre adultos mais jovens.

No estado de São Paulo, a incidência de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos aumentou cerca de 3% ao ano entre 2000 e 2023, segundo o estudo.

Embora ainda não exista uma causa definitiva para essa tendência, pesquisadores apontam fatores como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e outros hábitos de vida como possíveis responsáveis pelo aumento dos casos.

Exame simples ainda é pouco conhecido

A pesquisa também revelou desconhecimento sobre uma das principais ferramentas para o diagnóstico precoce.

De acordo com o levantamento, dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do FIT (Teste Imunoquímico Fecal), exame capaz de detectar sangue oculto nas fezes, mesmo quando ele não é visível a olho nu.

A expectativa é que esse cenário mude nos próximos meses. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) deverá divulgar um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal, que prevê a oferta do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa anunciada pelo Ministério da Saúde pretende ampliar o acesso ao rastreamento para mais de 40 milhões de brasileiros com idade entre 50 e 75 anos, permitindo o diagnóstico em fases iniciais e aumentando as chances de sucesso no tratamento.

Especialistas reforçam que qualquer alteração persistente nas fezes ou no funcionamento do intestino deve ser avaliada por um profissional de saúde, evitando atrasos que podem comprometer o prognóstico da doença.