Com nova barreira econômica, Brasil se tornará o 2º país mais tarifado pelos EUA
Representantes da indústria nacional tentaram reverter a decisão em audiências públicas realizadas em Washington nos dias 6 e 7 de julho
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A partir do próximo dia 22 de julho, o Brasil assumirá a segunda posição no ranking dos países mais tarifados pelos Estados Unidos. A mudança ocorre após a confirmação, pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), da imposição de uma nova sobretaxa de 25% sobre as mercadorias brasileiras.
De acordo com um levantamento da organização Global Trade Alert (GTA), a tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros saltará para 18,2%. Com esse patamar, o país ficará atrás apenas da China, que lidera o ranking com uma taxa média de 27%. O cálculo projeta um pico temporário até o dia 25 de julho, data em que expira a Seção 122, uma cobrança global de 10% que vinha sendo somada às novas taxas da Seção 301. Pela legislação americana, a medida anunciada em fevereiro poderá vigorar por até 150 dias.
A barreira comercial foi proposta em 1º de junho sob a alegação de que políticas brasileiras, que incluem desde subsídios até o uso do sistema Pix, prejudicam o comércio norte-americano. Representantes da indústria nacional tentaram reverter a decisão em audiências públicas realizadas em Washington nos dias 6 e 7 de julho, mas os argumentos não foram suficientes para barrar a canetada da gestão de Donald Trump.
Impacto bilionário nas exportações e no PIB
Entidades do setor produtivo alertam para os graves reflexos na competitividade e no nível de emprego no Brasil. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a restrição afetará mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, o equivalente a 26% de tudo o que o país vende para o mercado americano.
"Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil, de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025, e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos", criticou a Amcham em nota oficial.
No cenário macroeconômico, um relatório do banco Goldman Sachs estima que a tarifa efetiva deve se estabilizar em 16,8% após o vencimento das regras temporárias. A projeção aponta para uma redução de cerca de US$ 1 bilhão no fluxo de comércio internacional e um impacto negativo de 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acompanha a transição com forte apreensão. Dados compilados pela entidade revelam que 20 dos 27 estados brasileiros já haviam registrado queda nas exportações para os EUA no primeiro trimestre de 2026, um panorama recessivo que tende a se aprofundar significativamente a partir desta semana.