Neonazista trans alemã foragida é presa na República Tcheca volta para o país em uma prisão feminina
Segundo informações, existe suspeita de que a extremista tenha se aproveitado da Lei de Autodeterminação de Gênero da Alemanha para alterar seu registro civil e evitar o cumprimento de pena no presídio masculino
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Uma das figuras mais conhecidas da cena neonazista do leste da Alemanha, Marla-Svenja Liebich, de 55 anos, foi extraditada da República Tcheca e encaminhada para uma penitenciária feminina na cidade de Chemnitz, na Alemanha. Segundo informações, existe suspeita de que a extremista tenha se aproveitado da Lei de Autodeterminação de Gênero da Alemanha para alterar seu registro civil e, com isso, evitar o cumprimento de sua pena em um presídio masculino.
Liebich estava foragida desde agosto do ano passado, após ignorar uma ordem de prisão, e acabou detida em território tcheco em abril deste ano. Durante o processo de extradição, a defesa da militante tentou barrar o envio à Alemanha alegando que sua vida estaria em risco caso fosse colocada em uma ala carcerária masculina. No entanto, o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung revelou que, no momento em que foi capturada pela polícia tcheca, a ativista usava vestimentas masculinas e estava com a cabeça raspada.
Antes de realizar a transição documental no final de 2024, a extremista utilizava o nome Sven e acumulava décadas de atuação em grupos de extrema-direita. A mudança de gênero no registro civil ocorreu justamente enquanto ela recorria de uma condenação a um ano e meio de prisão por incitação ao ódio étnico e difamação. Diante do histórico, a Justiça da cidade de Halle já analisa uma ação para anular a mudança de registro por suspeita de fraude.
Histórico de contradições e embate com a imprensa
A transição de Liebich gerou intensa revolta na opinião pública alemã e foi interpretada como um teste de estresse à legislação do país, que desde o final de 2024 permite a simplificação da mudança de nome e gênero em cartório sem a necessidade de laudos médicos ou cirurgias. Sob a antiga identidade masculina, a militante era uma crítica ferrenha da comunidade LGBTQ+, tendo inclusive comercializado materiais com mensagens preconceituosas.
Após obter o documento feminino, a extremista passou a processar jornalistas e veículos de comunicação que continuavam a tratá-la pelo gênero biológico. Ela perdeu uma ação notável contra o jornalista Julian Reichelt, ex-editor do tabloide Bild, que garantiu o direito de afirmar que ela não era uma mulher. Além disso, o Conselho de Imprensa da Alemanha arquivou uma reclamação dela contra a revista Der Spiegel, sob o entendimento de que a mudança civil de Liebich foi um ato de má-fé para ridicularizar o Estado.
Atualmente, a direção do presídio de Chemnitz avalia se ela cumprirá toda a pena na unidade feminina ou se haverá transferência. O caso reacendeu o debate político no país, e o governo do chanceler Friedrich Merz já estuda revisar as diretrizes da Lei de Autodeterminação de Gênero para fechar brechas que permitam novos abusos jurídicos por parte de criminosos.