Pai de "Vitinho" é investigado por liderar grupo suspeito de movimentar mais de R$ 300 milhões
Polícia Civil afirma que esquema teria financiado período em que suspeito de estupro permaneceu foragido; operação apreendeu dinheiro, veículos e equipamentos eletrônicos
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A Polícia Civil de Alagoas informou, nesta sexta-feira (10), que o pai de Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como "Vitinho", é investigado por supostamente comandar uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 300 milhões nos últimos quatro anos. A suspeita surgiu durante as investigações que culminaram na prisão do jovem, acusado de estuprar Maria Daniela Ferreira Alves, em Coité do Nóia.
Segundo o delegado Zé Carlos, responsável pelo inquérito financeiro, a apuração começou a partir das diligências realizadas para localizar Vitinho, que permaneceu foragido por vários meses. Durante a investigação, autorizada pela Justiça, a polícia analisou movimentações bancárias e identificou operações consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada pelos investigados.
"Nossa investigação revelou uma estrutura financeira que, além de dar suporte ao período em que Vitinho permaneceu escondido, apresentou movimentações milionárias que chamaram a atenção dos investigadores", afirmou o delegado durante entrevista coletiva.
De acordo com a Polícia Civil, apenas o pai do suspeito teria movimentado aproximadamente R$ 150 milhões no período analisado. Somadas as transações atribuídas aos demais integrantes do grupo, o valor ultrapassa R$ 300 milhões.
Ainda conforme a investigação, empresas ligadas aos investigados declaravam faturamento reduzido ao Fisco, mas apresentavam intensa circulação de recursos financeiros. A polícia também apura a utilização de contas em nome de terceiros para ocultar a origem e o destino dos valores.
"Os elementos levantados apontam indícios de crimes que vão além da investigação do estupro. Esperamos responsabilizar todos os envolvidos", disse Zé Carlos.
Operação apreendeu dinheiro e equipamentos
Durante a operação realizada nesta sexta-feira, os policiais apreenderam cerca de R$ 90 mil em espécie, dois veículos, além de celulares e computadores, que passarão por perícia.
O diretor da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), delegado Igor Diego, informou que Victor Bruno também passou a ser investigado por suspeitas de fraude e sonegação fiscal.
Segundo ele, há indícios de que a estrutura financeira investigada tenha sido utilizada para garantir recursos e esconderijos ao acusado enquanto ele permanecia foragido.
Caso de estupro deu origem às investigações
A prisão de Victor Bruno está relacionada ao estupro de Maria Daniela Ferreira Alves, denunciado pelo Ministério Público de Alagoas. Conforme a acusação, o crime ocorreu em dezembro de 2024, após a jovem participar de uma confraternização com colegas.
O MP sustenta que a vítima foi levada para uma chácara ligada à família do investigado, onde teria sido dopada e violentada sexualmente.
Exames anexados ao processo identificaram substâncias psicoativas no organismo da jovem, enquanto laudos médicos apontam que ela desenvolveu sequelas neurológicas, motoras e psicológicas, incluindo transtorno de estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão.
A perícia da Polícia Científica concluiu que houve violência sexual e constatou comprometimento cognitivo decorrente das agressões sofridas pela vítima.