Lula diz que Trump tem inveja da China e avisa que EUA podem "ficar preocupados com o Brasil"
Em reunião no Planalto, presidente defende soberania sobre minerais críticos e promete que o país deixará de ser mero exportador de matéria-prima
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (10), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem “inveja” do domínio que a China exerce sobre o mercado global de minerais críticos. Durante uma reunião no Palácio do Planalto para desenhar a nova política nacional para o setor, o petista mandou um recado direto a Washington, avisando que a Casa Branca precisa começar a prestar atenção no potencial brasileiro.
"Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentor de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz", disparou Lula.
Atualmente, o gigante asiático controla entre 80% e 90% do refino e da extração global de terras raras — insumos que são a espinha dorsal de indústrias de alta tecnologia, defesa e veículos elétricos. O Brasil, por sua vez, caminha para ser o grande contraponto dessa balança, já que detém a segunda maior reserva mundial desses materiais estratégicos.
Exportar inteligência, não apenas minério
Lula defendeu que o país encare o tema sob a ótica da segurança nacional, dominando toda a cadeia de processamento em solo brasileiro em vez de apenas extrair e vender o produto bruto para o exterior.
"Nós não queremos ser vendedor de matéria-prima, nós queremos ser exportador de inteligência, de conhecimento. E é isso que a gente vai fazer com essas famosas terras tão raras", frisou o mandatário, destacando que o encontro de hoje representa uma "mudança de história" para a soberania tecnológica e financeira do país.
Corrida contra o tempo no Senado e pressão internacional
A ofensiva do governo ocorre em um momento de forte pressão interna e externa:
- No Congresso: O avanço da indústria depende da aprovação do chamado "PL das Terras Raras", projeto que cria o marco regulatório para o setor. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, mas segue travado no Senado.
- No front externo: O Brasil corre contra o relógio nas negociações com os Estados Unidos para tentar escapar de um novo tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, recomendado pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR). A decisão final de Washington é esperada para a próxima quarta-feira (15).