31 de julho de 2025
Histórico de Buscas

Operadora do esquema de Valdemar, 'Tuca' já foi alvo da PF no gabinete de Arthur Lira

Mariângela Fialek teve celular apreendido em operação anterior por controlar o "orçamento secreto"; mensagens extraídas do aparelho basearam nova decisão de Flávio Dino

Por Redação
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Operadora de esquema de emendas de Valdemar, 'Tuca' foi alvo da PF em dezembro - Foto: Reprodução

A servidora pública Mariângela Fialek, conhecida nos bastidores de Brasília como "Tuca" e apontada como peça-chave no esquema de emendas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, carrega um histórico recente com a Polícia Federal. Ela já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro do ano passado, quando exercia a função de assessora direta do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Naquela ocasião, as investigações miravam justamente o controle e a liberação de verbas do "orçamento secreto". A PF realizou buscas tanto na residência de Tuca quanto em uma sala dentro do próprio gabinete da Presidência da Câmara. Segundo os investigadores, a servidora atuava em benefício de uma provável organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos e crimes contra o sistema financeiro nacional.

Tuca trabalhou diretamente na estrutura de Lira entre março de 2021 e meados de 2025, migrando posteriormente para a liderança do Progressistas (PP) na Casa. Ela permaneceu na função de organizar as cotas orçamentárias mesmo após a troca de comando na Câmara, mantendo sua influência no preenchimento de emendas de comissão.

Celular apreendido virou mina de ouro para a PF

Os desdobramentos que levaram ao bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto nesta sexta-feira (10) nasceram, em grande parte, do material extraído do celular de Tuca na operação anterior. A análise das mensagens e planilhas revelou o que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, chamou de um "arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas".

Dino reforçou que Tuca e outros servidores funcionavam como a “longa manus” (braço operacional) do dirigente do PL. Enquanto Valdemar operava como o "mandante" e dono de uma cota pessoal de recursos, cabia à assessora blindar e executar as ordens de remanejamento dentro do sistema do Parlamento.

Além de Tuca, os diálogos expõem a proximidade com outra servidora da Casa, Nara Benedetti Nicolau Brum. Nas conversas interceptadas, Nara fazia menções repetidas e diretas a repasses de verbas que deveriam ser carimbados como sendo “do Valdemar” ou “do VCN”, consolidando os indícios de que o presidente do partido mandava no orçamento sem possuir um único voto.