Operadora do esquema de Valdemar, 'Tuca' já foi alvo da PF no gabinete de Arthur Lira
Mariângela Fialek teve celular apreendido em operação anterior por controlar o "orçamento secreto"; mensagens extraídas do aparelho basearam nova decisão de Flávio Dino
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A servidora pública Mariângela Fialek, conhecida nos bastidores de Brasília como "Tuca" e apontada como peça-chave no esquema de emendas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, carrega um histórico recente com a Polícia Federal. Ela já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro do ano passado, quando exercia a função de assessora direta do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Naquela ocasião, as investigações miravam justamente o controle e a liberação de verbas do "orçamento secreto". A PF realizou buscas tanto na residência de Tuca quanto em uma sala dentro do próprio gabinete da Presidência da Câmara. Segundo os investigadores, a servidora atuava em benefício de uma provável organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Tuca trabalhou diretamente na estrutura de Lira entre março de 2021 e meados de 2025, migrando posteriormente para a liderança do Progressistas (PP) na Casa. Ela permaneceu na função de organizar as cotas orçamentárias mesmo após a troca de comando na Câmara, mantendo sua influência no preenchimento de emendas de comissão.
Celular apreendido virou mina de ouro para a PF
Os desdobramentos que levaram ao bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto nesta sexta-feira (10) nasceram, em grande parte, do material extraído do celular de Tuca na operação anterior. A análise das mensagens e planilhas revelou o que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, chamou de um "arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas".
Dino reforçou que Tuca e outros servidores funcionavam como a “longa manus” (braço operacional) do dirigente do PL. Enquanto Valdemar operava como o "mandante" e dono de uma cota pessoal de recursos, cabia à assessora blindar e executar as ordens de remanejamento dentro do sistema do Parlamento.
Além de Tuca, os diálogos expõem a proximidade com outra servidora da Casa, Nara Benedetti Nicolau Brum. Nas conversas interceptadas, Nara fazia menções repetidas e diretas a repasses de verbas que deveriam ser carimbados como sendo “do Valdemar” ou “do VCN”, consolidando os indícios de que o presidente do partido mandava no orçamento sem possuir um único voto.