MP do DF amplia ofensiva contra influenciadores por divulgação de bets; Virginia e Felipe Prior estão entre os alvos
Órgão move ações na esfera cível e criminal contra influenciadores e pede indenizações milionárias, alegando publicidade enganosa e estímulo a apostas por consumidores vulneráveis
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensificou, ao longo de 2026, a ofensiva contra influenciadores digitais acusados de promover plataformas de apostas esportivas de forma considerada abusiva. Entre os principais alvos das investigações estão Virginia Fonseca e o ex-BBB Felipe Prior, que respondem a ações distintas por suposta publicidade enganosa e incentivo à prática de apostas entre consumidores.
Na quarta-feira (8), o MPDFT protocolou uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a plataforma Blaze, pedindo a condenação solidária ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos. Segundo o órgão, a influenciadora atuaria como um "braço operacional" da casa de apostas em um suposto "conluio predatório" para atrair novos apostadores.
A ação menciona, entre outros episódios, um vídeo em que Virginia incentiva seus mais de 56 milhões de seguidores no Instagram a apostarem no resultado de uma partida entre Argentina e Cabo Verde. De acordo com o Ministério Público, a recomendação teria levado consumidores a perderem integralmente os valores apostados.
Antes de Virginia, o ex-BBB Felipe Prior também passou a responder judicialmente por sua atuação na divulgação de plataformas de apostas. O MPDFT o denunciou por crimes contra as relações de consumo e pelo delito previsto no artigo 174 do Código Penal, que trata da indução de pessoas à especulação prejudicial mediante abuso da boa-fé.
Segundo a denúncia, aceita pela 2ª Vara Criminal do Distrito Federal, Prior participaria de um esquema estruturado para atrair consumidores vulneráveis com promessas irreais de lucro. O Ministério Público afirma que o contrato do influenciador previa remuneração fixa por novos cadastros e participação de 15% sobre as perdas financeiras dos apostadores indicados por ele.
Ainda conforme a investigação, o ex-BBB divulgava estratégias como a chamada "alavancagem 10x", prometendo transformar um investimento de R$ 20 em até R$ 5 mil em apenas 24 horas. Na esfera cível, Prior já foi condenado a retirar publicações que prometiam ganhos garantidos com apostas esportivas e responde a um pedido de indenização de, no mínimo, R$ 5 milhões.
A ação movida contra Virginia também cita outros nomes conhecidos que divulgaram a Blaze, entre eles o atacante Neymar Jr., além dos influenciadores Lucas Lira e Bruna Sunaika. Embora eles não sejam réus no processo, o MPDFT pediu que a plataforma apresente os contratos firmados com esses influenciadores para análise da Justiça.
Segundo o Ministério Público, a Blaze utiliza figuras públicas de grande alcance para ampliar a captação de consumidores, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade econômica, oferecendo a falsa expectativa de obtenção de renda extra por meio das apostas.
A defesa de Virginia Fonseca informou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e afirmou que rebaterá tecnicamente todas as alegações no processo. Os advogados sustentam que não há provas de atuação ilícita da influenciadora e afirmam que a responsabilização civil não pode se basear em presunções decorrentes de sua condição de pessoa pública.
Até a última atualização, Felipe Prior, Neymar, Lucas Lira e Bruna Sunaika não haviam se manifestado sobre os fatos. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.