31 de julho de 2025
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Feminicídio segue padrão repetitivo e pode ser prevenido, aponta pesquisadora em Alagoas

Estudo realizado em Maceió identifica sequência de sinais, que antecedem assassinatos de mulheres e defende atuação preventiva do Estado

Por Redação / Assessoria
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A advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima, autora de um estudo sobre violência de gênero em Alagoas. - Foto: Divulgação

Estudo em Maceió identifica sequência de sinais e comportamentos que antecedem assassinatos de mulheres e defende atuação preventiva do poder público.

A advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima, autora de um estudo sobre violência de gênero em Alagoas, chama atenção para um ponto central em sua pesquisa: o feminicídio não ocorre de forma súbita, mas é resultado de um processo marcado por sinais repetitivos que, segundo ela, podem ser identificados e interrompidos.

Em sua análise, desenvolvida no mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e publicada no livro O Padrão do Feminicídio: Um Estudo Configuracional dos Assassinatos de Mulheres em Maceió, a pesquisadora investiga casos de assassinatos de mulheres na capital alagoana e identifica padrões recorrentes de violência.

Segundo Anne Caroline, os crimes são precedidos por uma sequência de comportamentos que incluem agressões, ameaças, controle psicológico e omissões institucionais. Para ela, esses elementos se repetem em diferentes casos e ajudam a compreender a dinâmica que antecede o desfecho fatal.

“Nenhum feminicídio começa no dia do assassinato. Existe uma sequência de violências, de controles e de ameaças que se repete caso após caso. O feminicídio tem um padrão e, se há padrão, ele pode ser identificado e interrompido”, afirma.

O estudo também analisa casos ocorridos antes da criação da qualificadora do feminicídio na legislação brasileira e aponta falhas institucionais na proteção das vítimas, além da dificuldade do Estado em responder de forma preventiva aos episódios de violência.

Para a pesquisadora, um dos principais problemas é a tendência de enxergar cada caso como uma tragédia isolada, o que, segundo ela, dificulta a identificação dos sinais de risco.

“Toda vez que um novo caso de feminicídio ocorre, ele é visto como uma tragédia isolada. Mas existem contextos, dinâmicas de poder e sinais de risco que se repetem”, explica.

Anne Caroline defende que reconhecer esses padrões é essencial para fortalecer políticas públicas de prevenção e ampliar a proteção às mulheres em situação de violência. “Compreender esses sinais é fundamental para romper o ciclo. O conhecimento é uma das principais ferramentas de prevenção”, destaca.