Justiça determina cirurgia de paciente com aneurisma cerebral, mas procedimento segue sem data em Alagoas
Moradora da zona rural de Arapiraca aguarda há meses por cirurgia de alta complexidade
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A dona de casa Maria Rosineide dos Santos, de 52 anos, moradora da Vila São José, na zona rural de Arapiraca, aguarda há meses a realização de uma cirurgia para tratar um aneurisma cerebral. Segundo a família, apesar de sucessivas decisões judiciais determinando que o Estado de Alagoas custeie e providencie o procedimento, a operação ainda não foi agendada.
O problema de saúde foi descoberto após Maria Rosineide procurar atendimento no Hospital Regional de Arapiraca, em fevereiro de 2025, devido a fortes dores de cabeça. Inicialmente, havia a suspeita de um tumor cerebral. Após novos exames e uma angiografia realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico foi confirmado pelo Hospital Metropolitano de Alagoas: um aneurisma cerebral de grandes proporções, com comprometimento das funções óptica e motora.
Desde então, a paciente convive com dores intensas, episódios frequentes de tontura, visão turva e restrições severas na rotina. De acordo com familiares, qualquer esforço físico ou situação de estresse pode representar risco à sua vida.
O tratamento indicado é uma cirurgia de alta complexidade, cujo custo ultrapassa R$ 500 mil. Apenas os materiais necessários para o procedimento estão orçados em cerca de R$ 350 mil. Conforme a família, o procedimento não está disponível pelo SUS em Alagoas, o que levou ao ajuizamento de uma ação para garantir o custeio pelo Estado.
Ainda segundo os familiares, a primeira decisão favorável foi obtida poucos meses após o ingresso da ação.
Posteriormente, novas determinações judiciais reforçaram a obrigação de o Estado providenciar a cirurgia. Em uma das decisões mais recentes, a Justiça estabeleceu prazo para que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) realizasse o agendamento do procedimento, sob pena de bloqueio de verbas públicas. O prazo, entretanto, expirou sem que a cirurgia fosse marcada, segundo a família.
A sobrinha da paciente, Daniele Santos Barbosa, afirma que a espera tem sido marcada pela angústia e pela incerteza.
“Ela simplesmente não pode viver a vida. Qualquer esforço ou emoção mais forte representa um risco. A Justiça já reconheceu o direito dela, mas a cirurgia continua sem data. Nosso apelo é para que as autoridades olhem para esse caso com urgência", declarou.
Maria Rosineide vive com recursos do Bolsa Família e não possui condições financeiras de custear o procedimento. A família espera que a decisão judicial seja efetivamente cumprida antes que o quadro clínico da paciente se agrave.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) sobre o caso e atualizará o conteúdo caso haja posicionamento oficial do órgão.