31 de julho de 2025
economia

Brasil tenta evitar novas tarifas dos EUA a dez dias da decisão final

Governo brasileiro prepara nova rodada de negociações com os Estados Unidos, mas auxiliares de Lula já descartam a reversão total das medidas

Por redação
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Tarifas sobre produtos nacionais. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O governo brasileiro intensifica as negociações com os Estados Unidos para tentar impedir a entrada em vigor de novas tarifas sobre produtos nacionais. A decisão do governo norte-americano deve ser anunciada até 15 de julho, prazo considerado decisivo para as tratativas entre os dois países.

Antes da data-limite, equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir para preparar um último encontro de alto nível. O objetivo é buscar um acordo que reduza o impacto das medidas propostas pelo governo do presidente Donald Trump.

Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais. Paralelamente, o governo americano sugeriu uma sobretaxa de 12,5% relacionada à suposta falta de ações suficientes para combater o trabalho forçado, o que pode elevar a taxação total para até 37,5%.

Na última quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Durante o encontro, o Brasil apresentou um "mapa do caminho", com propostas para atender parte das preocupações levantadas por Washington e manter abertas as negociações.

Segundo o governo brasileiro, o plano prevê medidas para ampliar garantias de que as políticas adotadas pelo país não restringem nem prejudicam o comércio com os Estados Unidos. O Brasil, no entanto, mantém posição contrária a mudanças no PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, mas admite discutir outros temas, como acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e tarifas preferenciais.

A proposta foi elaborada com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apresentada após solicitação do próprio governo americano, de acordo com interlocutores do Palácio do Planalto.

Apesar das tratativas, auxiliares de Lula avaliam que a revogação completa das tarifas é improvável. A expectativa do governo é de que as negociações possam resultar, no máximo, em reduções nas alíquotas ou exceções para determinados produtos, já que consideram que a decisão dos Estados Unidos tem motivação mais política do que técnica.

Na última semana, o Ministério das Relações Exteriores também enviou a resposta oficial do Brasil à investigação conduzida pelos Estados Unidos. No documento, o chanceler Mauro Vieira afirma que críticas ao PIX e a decisões da Justiça brasileira dizem respeito a questões de política interna e não têm relação com práticas comerciais.

As propostas americanas ainda dependem da conclusão do processo de consulta pública. Audiências sobre o tema estão previstas para os dias 6 e 7 de julho. Caso sejam confirmadas, as tarifas poderão atingir parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos, embora o governo norte-americano já tenha indicado exceções para produtos considerados estratégicos, como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.