Como Trump se tornou o presidente que mais enriqueceu na Casa Branca
Declaração financeira aponta ganhos de US$ 2,2 bilhões, impulsionados principalmente por negócios com criptomoedas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou ganhos de pelo menos US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11,9 bilhões) durante o primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca. Os dados constam na declaração financeira divulgada nesta semana e colocam Trump como o presidente que mais enriqueceu enquanto ocupava o cargo, segundo historiadores.
Grande parte da receita veio do setor de criptomoedas. A declaração aponta cerca de US$ 1,4 bilhão em ganhos ligados a ativos digitais, além de US$ 635 milhões em royalties da empresa responsável pela memecoin $TRUMP. Trump também informou mais de US$ 500 milhões em receitas provenientes da empresa de criptomoedas World Liberty Financial, fundada por seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump em parceria com familiares do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff.
O valor declarado em 2025 representa quase quatro vezes o patrimônio informado no ano anterior, quando Trump declarou US$ 622 milhões em receitas.
A Casa Branca negou que o presidente ou sua família tenham se beneficiado do exercício do cargo. Em nota, a vice-secretária de imprensa, Anna Kelly, afirmou que todas as decisões do governo são tomadas "no melhor interesse do povo americano" e negou a existência de conflitos de interesse.
Especialistas, no entanto, avaliam que o volume de recursos obtidos durante o mandato rompe com uma tradição seguida por presidentes norte-americanos. Historiadores lembram que antigos ocupantes da Casa Branca, como Harry S. Truman e George W. Bush, adotaram medidas para evitar qualquer benefício financeiro relacionado ao cargo.
Antes de assumir a Presidência, Trump transferiu o controle da Trump Organization para seus filhos, mas manteve a propriedade dos ativos, diferentemente do modelo de truste cego adotado por outros presidentes.
Durante o mandato, o governo também adotou medidas que beneficiaram o mercado de criptomoedas, como a sanção de uma lei voltada às stablecoins. Especialistas em ética pública afirmam que decisões desse tipo levantam questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
Para Richard Painter, ex-conselheiro de ética da Casa Branca no governo Bush, a situação é preocupante. "É evidente que existe um conflito de interesses. É muito preocupante para o povo americano ver seu presidente ganhar tanto dinheiro enquanto ocupa o cargo", afirmou.