Empresa investigada por elo com PCC recebeu R$ 514 milhões de rede ligada ao Careca do INSS, aponta CPMI
Victory Trading aparece em relatórios da CPMI do INSS e também é citada em apurações sobre lavagem de dinheiro, PCC e patrocínio da VaideBet ao Corinthians
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Uma empresa sancionada pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) recebeu R$ 514,5 milhões de uma companhia apontada como integrante da rede de lavagem de dinheiro associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A informação foi divulgada pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles.
Segundo a reportagem, a empresa beneficiada é a Victory Trading Intermediação de Negócios, pertencente ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada. Os recursos teriam sido transferidos pela Wave Intermediações entre setembro de 2023 e setembro de 2024.
A movimentação financeira integra o conjunto de investigações da CPMI do INSS, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo dezenas de empresas consideradas de fachada.
Rede investigada movimentou mais de R$ 39 bilhões
De acordo com o relatório final da CPMI do INSS, elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), a chamada rede Arpar seria composta por mais de 40 empresas interligadas, utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
O documento afirma que a estrutura teria movimentado mais de R$ 39 bilhões, sendo apontada como responsável pelo suposto branqueamento de recursos desviados em fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre as empresas mencionadas está a Wave Intermediações, responsável pelas transferências milionárias à Victory Trading.
EUA aplicaram sanções por suposta ligação com o PCC
Na quarta-feira (2), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra empresas e pessoas físicas investigadas por suposta colaboração financeira com o PCC.
Entre os alvos estão a Victory Trading, a Pixwave Soluções de Pagamentos, ambas ligadas a Victor Shimada, além da empresa Wave Construções Inteligentes, da secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e da empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal.
Segundo as autoridades norte-americanas, é a primeira vez que empresas brasileiras são sancionadas após o PCC passar a ser enquadrado pelos Estados Unidos como organização terrorista.
Relatórios apontam conexões entre empresas
Embora a CPMI não tenha conseguido autorização para quebrar os sigilos da Victory Trading, relatórios de inteligência financeira obtidos pela comissão apontam vínculos operacionais entre a empresa e outras integrantes da rede Arpar.
Um dos documentos afirma que a ACX ITC Serviços de Tecnologia, considerada uma das principais empresas investigadas, utilizava o mesmo dispositivo eletrônico para acessar contas da Victory Trading e da Texas Quantum Serviços Digitais.
O relatório registra ainda que a Victory já havia sido comunicada anteriormente por movimentações consideradas suspeitas.
A ACX ITC possui capital social declarado de R$ 101 milhões, mas, segundo a CPMI, seu proprietário não apresentaria padrão financeiro compatível com esse patrimônio.
Empresas também aparecem no caso VaideBet
As empresas Victory Trading e Wave Intermediações também são citadas nas investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre o suposto desvio de recursos envolvendo o contrato de patrocínio firmado entre a VaideBet e o Corinthians.
De acordo com a investigação, Victor Shimada seria apontado como operador financeiro das transações investigadas.
As empresas também foram mencionadas pelo empresário Vinicius Gritzbach, delator do PCC assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Segundo relatório da CPMI, a Wave Intermediações movimentou R$ 2,68 bilhões entre setembro de 2023 e agosto de 2025. O documento afirma que não foram identificadas justificativas econômicas ou legais para parte das operações financeiras, apontando possíveis indícios de lavagem de dinheiro.