31 de julho de 2025
DISTRITO FEDERAL

Quem é o Maníaco do Novo Gama: serial killer condenado por homicídios e estupros deixa unidade psiquiátrica após decisão da Justiça

Adaylton Neiva foi condenado a mais de 54 anos por homicídios, estupros e outros crimes; liberdade reacende temor entre moradores

Por Redação
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Condenado por homicídios e estupros, Adaylton Nascimento Neiva deixou a unidade psiquiátrica após decisão da Justiça do Distrito Federal. - Foto: Reprodução

A decisão da Justiça do Distrito Federal de conceder a desinternação condicional de Adaylton Nascimento Neiva, de 47 anos, conhecido como Maníaco do Novo Gama, reacendeu o debate sobre um dos casos criminais mais marcantes da história recente do Distrito Federal e de Goiás. Condenado a 54 anos e seis meses de prisão por homicídios qualificados, estupros e aborto provocado, o serial killer deixou a Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP) da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, na última terça-feira (30).

A liberdade do criminoso ocorre mais de duas décadas após a sequência de assassinatos que espalhou medo entre mulheres do Distrito Federal e do Entorno. Mesmo internado desde 2011, o caso jamais saiu da memória de moradores da região, principalmente pela violência empregada contra as vítimas.

Série de crimes começou em 2000

Os crimes atribuídos a Adaylton tiveram início em março de 2000, no município de Novo Gama (GO). A primeira vítima foi a ex-companheira, Elenice Geralda Lucas, de 19 anos, que estava grávida de cinco meses. Segundo as investigações, ela foi assassinada com golpes de madeira na cabeça.

Na mesma ocasião, a filha da jovem, Luciene Lucas de Caldas, de apenas cinco anos, também foi morta por asfixia. Os corpos foram enterrados em uma cova rasa no quintal da residência e encontrados apenas dez dias depois.

Apesar da gravidade do crime, Adaylton permaneceu preso por apenas 210 dias e acabou colocado em liberdade em razão da demora da Justiça de Goiás para levá-lo a julgamento.

Poucos meses depois, em fevereiro de 2001, ele voltou a atacar, estuprando três mulheres no Gama (DF). Pelos crimes, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.

Fuga e novos assassinatos

Em setembro de 2009, após obter progressão para o regime semiaberto, Adaylton fugiu do sistema prisional.

Três meses depois, voltou a cometer crimes. Entre as vítimas estavam a dona de casa Evanilde dos Santos Ribeiro, de 41 anos, e a estudante Alessandra Alves Rodrigues, de 14 anos, assassinada em dezembro de 2009 após ser levada para uma área de mata no Novo Gama.

Após os homicídios, o criminoso fugiu para o Nordeste e foi localizado em julho de 2010, no município de Picos (PI), onde vivia com outra companheira.

Durante os interrogatórios, Adaylton chegou a confessar nove homicídios — cinco em Novo Gama, três em Sobradinho e um em Santa Maria. No entanto, as investigações conseguiram reunir provas suficientes para condená-lo por apenas três assassinatos.

Diagnóstico de psicopatia mudou cumprimento da pena

Em 2011, a Justiça condenou Adaylton a 54 anos e seis meses de prisão.

Posteriormente, exames psiquiátricos apontaram que ele apresentava transtorno de personalidade dissocial, com características de psicopatia. Com isso, a pena foi convertida em medida de segurança, determinando sua internação em unidade psiquiátrica.

Em abril de 2024, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a internação após concluir que o condenado ainda apresentava grau de periculosidade entre moderado e elevado.

Na ocasião, um laudo destacou que o interno utilizava um discurso considerado sedutor, vitimizado e teatralizado, minimizava os próprios crimes, atribuía sua conduta ao uso de drogas e não demonstrava empatia nem arrependimento pelas vítimas.

Nova perícia motivou decisão

O entendimento da Justiça mudou neste ano.

Com base em um novo laudo psiquiátrico elaborado em setembro de 2025 e em relatório da Unidade Básica de Saúde (UBS) 16 do Gama, a Vara de Execuções Penais concluiu que Adaylton apresentava quadro clínico estabilizado e poderia prosseguir o tratamento em regime ambulatorial.

A decisão foi assinada pela juíza Leila Cury, que ressaltou que os elementos constantes no processo indicavam que a manutenção da internação não se justificava mais.

Apesar da liberação, os próprios laudos médicos registram que não é possível garantir a cessação da periculosidade nem assegurar que o condenado não volte a cometer crimes.

Como condição para permanecer em liberdade, Adaylton deverá cumprir tratamento médico e psicológico, além de ser acompanhado pelos serviços sociais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e por familiares.

Enquanto permaneceu internado, o condenado formalizou união estável com uma mulher, com quem deverá residir após deixar a unidade de tratamento.