El Niño deve aumentar calor, seca e risco de queimadas no Brasil, aponta Inmet
Boletim prevê temperaturas acima da média na maior parte do país e redução das chuvas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste durante o segundo semestre
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou o primeiro boletim sobre o fenômeno El Niño em 2026 e prevê um segundo semestre com temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, além de aumento do risco de ondas de calor, incêndios florestais e estiagem em diversas regiões.
Segundo o instituto, a tendência para o período entre julho e setembro é de chuvas acima da média na Região Sul e abaixo da média em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O documento foi elaborado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, foi confirmado no início de junho pela agência norte-americana NOAA. Os modelos climáticos indicam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte.
De acordo com o coordenador de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, os episódios de El Niño têm se tornado mais frequentes e intensos em razão do aquecimento global. Segundo ele, o fenômeno atual pode alcançar intensidade semelhante à registrada nos eventos de 2015/2016 e 2023/2024.
Na área de hidrologia, o boletim alerta para o agravamento da estiagem na Amazônia durante o segundo semestre e para a manutenção dos baixos níveis do Rio São Francisco, cenário que pode intensificar a seca no Nordeste. No Sul, apesar da previsão de mais chuva, os especialistas destacam que as condições podem mudar rapidamente e exigem monitoramento constante.
Para a agricultura, os impactos variam conforme a região. No Norte e Nordeste, a combinação de calor e redução das chuvas pode prejudicar pastagens, culturas perenes e a agricultura familiar. No Centro-Oeste, o aumento das temperaturas deve intensificar a deficiência hídrica no fim da estação seca, afetando a pecuária. Já no Sudeste, as temperaturas mais elevadas exigem atenção ao desenvolvimento das lavouras, enquanto no Sul o excesso de umidade pode favorecer doenças fúngicas nas culturas de inverno.
O Cemaden também destaca maior risco de queimadas entre julho e setembro, principalmente em áreas de Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e na região do Matopiba, onde a combinação de estiagem prolongada, altas temperaturas e uso do fogo aumenta o potencial de incêndios.
Embora haja previsão de chuvas acima da média para o Sul, o Inmet ressalta que isso não significa, automaticamente, maior ocorrência de enchentes ou deslizamentos. Os especialistas afirmam que o risco dependerá da intensidade dos eventos de chuva previstos para os próximos meses e que o monitoramento continuará sendo atualizado mensalmente.