Casos de violência contra idosos crescem 23% em Alagoas e passam de 5,5 mil no primeiro semestre de 2026
Dados do Ministério dos Direitos Humanos apontam aumento dos registros no estado; especialistas reforçam importância das denúncias para proteger as vítimas
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O número de violações de direitos contra pessoas idosas voltou a crescer em Alagoas. Dados do Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam que o estado registrou 5.598 casos de violações no primeiro semestre de 2026, um aumento de 23,22% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 4.543 casos.
O crescimento acompanha o envelhecimento da população alagoana. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no estado passou de 380 mil para mais de 400 mil pessoas na última década. Atualmente, Alagoas possui 259.583 moradores com mais de 65 anos, o equivalente a 8,3% da população.
As violações registradas pelo MDHC abrangem situações como maus-tratos, abandono, exploração, violência física, psicológica, patrimonial, financeira e outras formas de desrespeito aos direitos humanos da pessoa idosa. Apesar dos 5.598 casos registrados, apenas 590 denúncias foram formalizadas pelos canais oficiais da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), evidenciando uma possível subnotificação.
Entre os municípios alagoanos, Maceió concentrou o maior número de casos. A capital contabilizou 2.451 violações no primeiro semestre de 2026, contra 1.868 no mesmo período do ano anterior.
Em Arapiraca, por outro lado, houve redução dos registros, passando de 712 casos em 2025 para 481 em 2026. Rio Largo também apresentou queda, com 99 ocorrências neste ano, frente às 120 registradas nos seis primeiros meses do ano passado.
Segundo a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Ma. Keler Mendes, os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis da população e podem ser vítimas de diferentes formas de violência.
Entre as ocorrências mais frequentes estão a violência física, o abuso psicológico, a negligência, o abandono, a violência institucional, o abuso financeiro, a violência patrimonial, a violência sexual e a discriminação.
A especialista destaca que denunciar é fundamental para interromper o ciclo de violência, garantir proteção às vítimas e responsabilizar os agressores.
"É uma forma de afastar o agressor da vítima e puni-lo, além de fortalecer políticas públicas de enfrentamento. A pessoa idosa também passa a ter acesso à assistência jurídica, acolhimento, apoio psicológico e serviços de saúde que auxiliam na recuperação dos traumas", afirma.
Como denunciar
Casos de violência contra pessoas idosas podem ser denunciados por meio do Disque 100, serviço gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia. O atendimento também pode ser realizado pela plataforma da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, pelo aplicativo Direitos Humanos, além dos canais oficiais no Telegram e WhatsApp.