31 de julho de 2025
saúde

Dependência psicológica e queda de pressão: especialistas alertam para os riscos do uso indiscriminado da tadalafila

Segundo a Anvisa, a comercialização do medicamento passou por um aumento de 23 vezes em dez anos

Por Redação
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Segundo a Anvisa, a comercialização do medicamento passou por um aumento de 23 vezes em dez anos - Foto: Reprodução/Internet

O consumo de tadalafila, medicamento originalmente indicado para disfunção erétil e popularmente apelidado de “tadala”, registrou uma explosão nas vendas no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que foram comercializadas 74,9 milhões de caixas do remédio em 2025, um salto expressivo em comparação às 64,7 milhões vendidas em 2024. Há uma década, em 2015, o volume era de apenas 3,2 milhões de unidades.

Embora as estatísticas oficiais não detalhem a faixa etária dos consumidores, urologistas relatam um aumento expressivo de jovens saudáveis nos consultórios que fazem uso recreativo da substância. O fenômeno é impulsionado pela facilidade de compra sem receita nas farmácias, pela pressão estética em academias e pela busca por desempenho sexual irreal, muitas vezes moldado pela pornografia e redes sociais.

Ao contrário de outras substâncias, a tadalafila não causa dependência química. No entanto, o uso sem necessidade clínica acende um alerta vermelho nos órgãos de saúde devido ao risco de dependência psicológica.

"Esses homens passam a acreditar que só conseguirão ter um bom desempenho sexual se estiverem usando o medicamento", explica Gustavo Marquesine Paul, coordenador da Sociedade Brasileira de Uruzologia (SBU).

Como o remédio atua como um potente vasodilatador, seu uso incorreto ou em superdoses pode desencadear uma série de efeitos colaterais e riscos à saúde:

- Efeitos comuns: Dores de cabeça, dores musculares (principalmente na região lombar), congestão nasal, rubor facial e azia.

- Casos graves: Queda abrupta da pressão arterial (causando desmaios), alterações visuais ou auditivas e priapismo (ereção prolongada e dolorosa por mais de quatro horas, que exige emergência médica).

- Uso feminino off-label: Mulheres têm utilizado a substância para aumentar a sensibilidade genital, prática que não tem recomendação em bula e carece de avaliação médica.

Mistura perigosa com álcool, energéticos e suplementos


Os riscos se tornam imprevisíveis quando a tadalafila é combinada com outras substâncias da rotina jovem. A mistura com bebidas alcoólicas potencializa o efeito hipotensor, elevando o risco de tonturas e aceleração cardíaca. Já a associação com energéticos, pré-treinos, anabolizantes ou drogas recreativas sobrecarrega o organismo. Além disso, o uso é estritamente proibido para pacientes que utilizam nitratos para o tratamento de doenças cardíacas, sob risco de morte.

Nas academias, o uso virou tendência para buscar o "pump" (aumento temporário do volume dos músculos e veias saltadas). Contudo, a comunidade médica reforça: não existem evidências científicas de que a tadalafila aumente o ganho de massa muscular ou melhore a performance física e sexual de homens que não apresentam patologias.