31 de julho de 2025
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Nem toda dor de barriga é virose: sintomas repetitivos em crianças podem indicar outros problemas de saúde

Especialista alerta para os sinais que indicam quando a dor abdominal infantil exige avaliação médica

Por Assessoria
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Imagem ilustrativa - Foto: Assessoria

A dor de barriga é uma das queixas mais comuns entre crianças e, muitas vezes, acaba sendo associada apenas a uma virose. No entanto, quando o sintoma é recorrente ou vem acompanhado de outros sinais, pode indicar problemas que exigem investigação médica, como prisão de ventre, intolerâncias alimentares, refluxo gastroesofágico, doença celíaca, infecção urinária e até fatores emocionais.

De acordo com a pediatra Dra. Karina Pinheiro, professora da Pós-Graduação da Afya Educação Médica Maceió, alguns sinais de alerta não devem ser ignorados pelos responsáveis. “Dor muito intensa ou que não melhora com medidas simples, perda de peso, apetite muito reduzido, prisão de ventre e queixas urinárias associadas são sinais de que a criança precisa ser avaliada por um médico", explica.

A especialista destaca que a frequência das dores também merece atenção. Segundo ela, quando a criança apresenta episódios semanais ou quando a dor ocorre três ou mais vezes em um período de três meses, interferindo na rotina, é fundamental buscar atendimento.

“Se a dor acontece uma vez por semana ou mais, ou se houve três ou mais episódios nos últimos três meses que atrapalham a escola, o sono ou as atividades diárias da criança, é importante realizar uma investigação médica", orienta.

Entre as causas mais frequentes das dores abdominais recorrentes estão a constipação intestinal, alergias e intolerâncias alimentares, doença celíaca, infecção urinária, parasitoses, refluxo gastroesofágico e até transtornos emocionais.

A prisão de ventre, por exemplo, pode afetar muito mais do que o funcionamento do intestino. Além de dor ao evacuar, fezes endurecidas e distensão abdominal, o problema também pode trazer impactos emocionais e sociais. “Algumas crianças passam a segurar as fezes por vergonha ou medo, tornando o quadro ainda pior. Isso pode causar irritabilidade, prejudicar o sono e até comprometer o desempenho escolar", alerta a pediatra.

Hábitos inadequados também favorecem o surgimento das dores. Alimentação pobre em fibras, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, excesso de leite, sedentarismo, ansiedade, estresse, refeições irregulares e até o uso frequente de anti-inflamatórios estão entre os principais fatores de risco.

Outro ponto importante é observar sintomas associados que exigem atendimento imediato. Vômitos persistentes, especialmente de coloração esverdeada, sangue nas fezes ou no vômito, febre alta, sinais de desidratação, distensão abdominal persistente e dor intensa são considerados sinais de alerta.

As emoções também podem influenciar a saúde intestinal das crianças. Em alguns casos, ansiedade e estresse podem provocar dores de barriga, principalmente antes de provas, apresentações ou da ida à escola.

“Quando a dor melhora ao ficar em casa ou durante momentos de distração e a criança relata medos e preocupações, podemos pensar em um componente emocional. Porém, é fundamental descartar doenças físicas, principalmente na presença de sinais de alarme, como febre alta, sangue nas fezes ou alterações nos exames", ressalta.

Para evitar complicações e facilitar o diagnóstico precoce, a recomendação é que os pais não banalizem as queixas das crianças. “Minha principal orientação é não minimizar as queixas. Sempre que as dores forem repetitivas ou interferirem nas atividades diárias, a criança deve ser levada para avaliação médica. Observar e registrar os sintomas também ajuda muito na investigação e no diagnóstico precoce", conclui Karina Pinheiro.