Conar suspende publicidade de "bets" na CazéTV durante a Copa do Mundo
Decisão liminar barra ações de merchandising em tempo real que estimulam o jogo impulsivo; Betnacional, Bet365 e KTO também são alcançadas por ofensiva regulatória
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As transmissões da Copa do Mundo de 2026 na CazéTV sofreram um duro revés comercial. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou, em caráter liminar, a suspensão imediata de diversas ações publicitárias de casas de apostas — as populares "bets" — exibidas durante a cobertura do torneio. A medida cautelar, assinada pelo conselheiro relator Luiz Celso de Piratininga Jr. nesta sexta-feira (26), visa frear anúncios considerados incompatíveis com as regras de publicidade responsável antes mesmo do julgamento final do caso.
O principal alvo da contestação do órgão regulador são as ações de merchandising integradas ao conteúdo das partidas. No formato criticado, narradores e comentaristas apresentavam ofertas e destacavam odds (probabilidades e potenciais de ganho) em tempo real, baseando-se em lances específicos do jogo que acontecia naquele instante. O Conar avalia que essa estratégia confunde o telespectador ao misturar o conteúdo editorial com o patrocinado, além de induzir o público a um comportamento impulsivo e a uma falsa percepção de ganho fácil.
A decisão atinge diretamente a CazéTV e as plataformas Betnacional, Bet365 e KTO, que patrocinam o canal. As empresas ganharam um prazo de cinco dias úteis para comprovar quais medidas foram adotadas para adequar suas inserções comerciais, com foco especial na proteção do público infantojuvenil. Embora o Conar não tenha o poder legal de aplicar multas financeiras, suas recomendações de suspensão ou alteração de campanhas costumam ser integralmente acatadas pelos grandes players do mercado.
A barração imposta pelo conselho acompanha uma forte onda de fiscalização estatal sobre o setor de apostas. Na mesma semana, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, abriu uma investigação para apurar se o canal violou o Código de Defesa do Consumidor ao exibir peças que minimizam os riscos financeiros dos jogos. Paralelamente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que as empresas e o veículo já foram notificados e anunciou que o governo federal prepara regras rígidas para o setor, prevendo a inclusão obrigatória de alertas de risco semelhantes aos que já existem nos comerciais de cigarro e bebidas alcoólicas.
Em posicionamento oficial, a CazéTV informou que já havia realizado ajustes operacionais e modificado a forma de exibição dos anúncios após receber queixas de parte dos seus espectadores. No entanto, as alterações voluntárias não foram consideradas suficientes pelo Conar, que optou por manter o bloqueio preventivo das peças publicitárias até que o Conselho de Ética analise formalmente o mérito do processo.