31 de julho de 2025
OPERAÇÃO DARK HORSE

PF deve abrir até três inquéritos sobre financiamento do filme "Dark Horse"

Investigações devem apurar repasses milionários, possível envio de recursos aos Estados Unidos e destinação de emendas parlamentares à produtora da cinebiografia

Por Redação
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O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' - Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) deve instaurar até três inquéritos nos próximos dias para investigar suspeitas relacionadas ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A expectativa ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) definir os ministros responsáveis pelas apurações.

As investigações devem se concentrar em três frentes: os repasses de R$ 61 milhões feitos pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); a possível utilização de parte desses recursos para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme.

A PF aguardava a definição do relator da investigação sobre os repasses financeiros. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu que o caso ficará sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável por processos relacionados ao Banco Master.

Segundo as investigações, o dinheiro teria sido destinado a um fundo responsável pelo financiamento da produção nos Estados Unidos, por meio de uma empresa que já era investigada por suposta ligação com fraudes envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal pretende apurar se os repasses ocorreram em troca de eventuais favorecimentos políticos.

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que apenas solicitou financiamento privado para a produção do filme sobre o pai.

A segunda frente de investigação deverá apurar se parte dos recursos foi utilizada para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Como a apuração envolve movimentações financeiras no exterior, a PF deverá recorrer à cooperação internacional para obtenção de informações.

Já a investigação sobre emendas parlamentares ficará sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Desde maio, ele conduz uma apuração preliminar sobre recursos destinados por parlamentares do PL a entidades ligadas à empresária Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up, que realiza o filme.

A suspeita é de que emendas parlamentares tenham sido utilizadas para beneficiar, de forma indireta, a produção da cinebiografia. Parlamentares citados nas investigações negam qualquer irregularidade.

Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) também realiza auditoria para analisar a aplicação dos recursos provenientes das emendas parlamentares.