31 de julho de 2025
ALAGOAS

MPAL denuncia policial suspeito de executar dois colegas dentro de viatura em Delmiro Gouveia

Denúncia aponta uso de arma da corporação, disparos dentro de viatura em movimento e pedido de julgamento pelo Tribunal do Júri

Por Redação
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O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho é acusado de executar dois colegas de equipe - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) apresentou denúncia contra o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho pela morte dos colegas Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira. O caso ocorreu nas primeiras horas de 20 de maio de 2026, dentro de uma viatura da Polícia Civil, no município de Delmiro Gouveia.

Segundo a denúncia, o crime foi cometido com uso de uma pistola Glock calibre .40 pertencente à corporação. O MPAL afirma que os disparos ocorreram dentro do veículo em movimento e resultaram na morte imediata das duas vítimas.

O órgão sustenta que os elementos reunidos nos autos indicam que o crime foi praticado com recurso que dificultou a defesa das vítimas. O pedido do Ministério Público é para que o denunciado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenado por dois homicídios qualificados.

De acordo com o promotor de Justiça Dênis Guimarães de Oliveira, os laudos balístico e cadavérico integram o conjunto de provas da investigação. A denúncia aponta que as vítimas foram atingidas sem possibilidade de reação durante o deslocamento da viatura.

O documento informa que Denivaldo foi atingido por disparo nas costas, na região da nuca, enquanto Yago, que dirigia a viatura, foi atingido após tentativa de reação. A investigação aponta que não houve luta corporal dentro do veículo.

O Ministério Público também afirma que os três envolvidos haviam ingerido bebida alcoólica, mas sustenta que esse fator não exclui responsabilidade penal. Segundo a denúncia, o acusado apresentou ações após o crime, como o deslocamento armado pelas ruas e a guarda da arma na residência da companheira.

A denúncia também contesta versões iniciais sobre a dinâmica do caso. Segundo o MPAL, a viatura parou após os disparos, e não antes. Em seguida, o acusado teria saído do veículo e deixado o local.

Os laudos de alcoolemia apontaram concentração de álcool no sangue das vítimas. O Ministério Público relaciona esse fator à redução da capacidade de reação no momento dos disparos.

O MPAL afirma ainda que o investigado não possui histórico de transtornos psiquiátricos e que a conduta após o crime indica consciência dos atos. O órgão pede que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri da Comarca de Delmiro Gouveia.

Além da denúncia, o Ministério Público solicitou diligências complementares, incluindo acesso a mídias extraídas de dados telemáticos e quebra de sigilo bancário e financeiro do acusado. O objetivo é verificar possíveis movimentações financeiras e apurar eventual motivação para o crime.