MPAL denuncia policial suspeito de executar dois colegas dentro de viatura em Delmiro Gouveia
Denúncia aponta uso de arma da corporação, disparos dentro de viatura em movimento e pedido de julgamento pelo Tribunal do Júri
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O Ministério Público de Alagoas (MPAL) apresentou denúncia contra o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho pela morte dos colegas Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira. O caso ocorreu nas primeiras horas de 20 de maio de 2026, dentro de uma viatura da Polícia Civil, no município de Delmiro Gouveia.
Segundo a denúncia, o crime foi cometido com uso de uma pistola Glock calibre .40 pertencente à corporação. O MPAL afirma que os disparos ocorreram dentro do veículo em movimento e resultaram na morte imediata das duas vítimas.
O órgão sustenta que os elementos reunidos nos autos indicam que o crime foi praticado com recurso que dificultou a defesa das vítimas. O pedido do Ministério Público é para que o denunciado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenado por dois homicídios qualificados.
De acordo com o promotor de Justiça Dênis Guimarães de Oliveira, os laudos balístico e cadavérico integram o conjunto de provas da investigação. A denúncia aponta que as vítimas foram atingidas sem possibilidade de reação durante o deslocamento da viatura.
O documento informa que Denivaldo foi atingido por disparo nas costas, na região da nuca, enquanto Yago, que dirigia a viatura, foi atingido após tentativa de reação. A investigação aponta que não houve luta corporal dentro do veículo.
O Ministério Público também afirma que os três envolvidos haviam ingerido bebida alcoólica, mas sustenta que esse fator não exclui responsabilidade penal. Segundo a denúncia, o acusado apresentou ações após o crime, como o deslocamento armado pelas ruas e a guarda da arma na residência da companheira.
A denúncia também contesta versões iniciais sobre a dinâmica do caso. Segundo o MPAL, a viatura parou após os disparos, e não antes. Em seguida, o acusado teria saído do veículo e deixado o local.
Os laudos de alcoolemia apontaram concentração de álcool no sangue das vítimas. O Ministério Público relaciona esse fator à redução da capacidade de reação no momento dos disparos.
O MPAL afirma ainda que o investigado não possui histórico de transtornos psiquiátricos e que a conduta após o crime indica consciência dos atos. O órgão pede que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri da Comarca de Delmiro Gouveia.
Além da denúncia, o Ministério Público solicitou diligências complementares, incluindo acesso a mídias extraídas de dados telemáticos e quebra de sigilo bancário e financeiro do acusado. O objetivo é verificar possíveis movimentações financeiras e apurar eventual motivação para o crime.