Ufal monitora evolução do El Niño e possíveis impactos em Alagoas
Radar Meteorológico da Universidade observa sistemas de chuva em tempo real; NOAA alerta para 63% de chance de evento muito forte entre novembro e janeiro
Publicado em
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas (Sirmal), acompanha a evolução do El Niño e seus possíveis reflexos sobre o regime de chuvas, as temperaturas e a disponibilidade hídrica no Estado. O alerta da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de atenção para pesquisadores e gestores públicos.
Alerta da NOAA
A agência norte-americana registrou que o índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C na primeira semana de junho, condição que caracteriza o estabelecimento do fenômeno. A NOAA projeta 63% de chance de evento muito forte no trimestre novembro-dezembro-janeiro, o que o colocaria entre os episódios mais intensos desde 1950. A probabilidade de permanência do El Niño está entre 97% e 99% em todos os trimestres projetados.
Impactos locais
A professora Luciene Melo, coordenadora do Sirmal, explica que o fenômeno não atua diretamente sobre o Nordeste, mas por meio de um mecanismo conhecido como teleconexão atmosférica. A intensidade dos efeitos sobre a região depende criticamente das condições térmicas do Oceano Atlântico Tropical. Em anos em que o Atlântico Norte está mais frio que o Sul, a Zona de Convergência Intertropical (Zcit) se posiciona mais ao sul, favorecendo as chuvas no Nordeste mesmo durante El Niño.
Historicamente, os episódios de El Niño estão associados à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas nas regiões Norte e Nordeste. No Nordeste, eventos fortes costumam preocupar especialmente pela influência sobre a Quadra Chuvosa, entre março e junho.
Impactos em Alagoas
Em Alagoas, os efeitos do El Niño não são uniformes. O Litoral e a Zona da Mata têm certa resiliência, sendo a região que menos sofre os efeitos diretos. O Agreste apresenta vulnerabilidade intermediária. O Sertão é a região mais exposta, dependente quase exclusivamente da Quadra Chuvosa e do posicionamento da ZCIT, sofrendo os impactos mais severos.
O pico do fenômeno é esperado entre outubro de 2026 e março de 2027. Com o período mais chuvoso já encerrado, a preocupação é com a falta de reposição hídrica entre julho e dezembro.
Radar da Ufal
O Sirmal opera em banda S e cobre uma área de aproximadamente 400 quilômetros de raio a partir de Maceió, com 250 quilômetros de área de dados quantitativos. O radar permite identificar mudanças na frequência, organização e intensidade dos sistemas convectivos.
Os dados gerados têm aplicações na gestão de recursos hídricos, defesa civil e monitoramento da estiagem. O radar é integrado a redes nacionais de monitoramento por meio de parceria com o Cemaden, além de convênios com a Semarh e a Defesa Civil municipal.