31 de julho de 2025
AMÉRICA DO SUL

Venezuela confirma 32 mortes e mais de 700 feridos após terremotos; buscas por sobreviventes continuam

Governo decreta estado de emergência nacional após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingirem o norte do país; La Guaira concentra os maiores danos.

Por Redação
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Equipes de resgate trabalham entre escombros após os terremotos que atingiram a Venezuela e deixaram dezenas de mortos. - Foto: Jesus Vargas/Getty Images

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou na madrugada desta quinta-feira (25) que os dois terremotos que atingiram o país deixaram, até o momento, 32 mortos e mais de 700 feridos. O balanço oficial ainda não inclui os registros de La Guaira, região considerada a mais devastada pelos abalos sísmicos e onde as equipes de resgate continuam trabalhando na busca por sobreviventes.

Segundo Delcy Rodríguez, hospitais públicos e particulares seguem mobilizados para atender os feridos, enquanto forças de resgate contam com o apoio de equipes nacionais e internacionais. A presidente informou que receberá especialistas enviados por países como Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar para reforçar as operações de busca.

Ela também agradeceu a solidariedade internacional e destacou que o Brasil colocou ajuda humanitária à disposição da Venezuela.

"O Brasil ofereceu ajuda. Obrigada aos que estenderam a mão ao país e peço a todas as igrejas e correntes de fé que se unam em uma só oração pelo nosso povo", declarou.

Brasil oferece apoio

Ainda na quarta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, quais medidas de assistência poderão ser prestadas ao país vizinho.

O governo brasileiro acompanha a evolução da situação e poderá colaborar conforme as necessidades apresentadas pelas autoridades venezuelanas.

Estado de emergência

Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano decretou estado de emergência nacional.

As aulas foram suspensas em todo o país e parte da infraestrutura de transporte teve as atividades interrompidas para facilitar o deslocamento das equipes de socorro.

La Guaira foi classificada como uma "zona de desastre" pelo governo. Segundo Delcy Rodríguez, dezenas de edifícios desabaram na região e hotéis, escolas e abrigos públicos foram disponibilizados para receber famílias que perderam suas casas ou tiveram imóveis comprometidos pelos tremores.

"A primeira mensagem para o nosso povo é manter a união para salvar vidas. Imediatamente após a ocorrência desses dois terremotos, todas as nossas autoridades e o sistema de Proteção Civil se dedicaram à tarefa de resgate", afirmou.

Dois terremotos em menos de um minuto

Os abalos ocorreram no fim da tarde de quarta-feira. Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou apenas um terremoto de magnitude 7,1.

Horas depois, o órgão revisou os dados e confirmou que ocorreram dois terremotos de grande intensidade.

O primeiro atingiu a região próxima à cidade de San Felipe, com magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 quilômetros. Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, foi registrado nas proximidades de Yumare, com epicentro localizado a cerca de cinco quilômetros do primeiro.

Os terremotos foram sentidos em diversas regiões da Venezuela, incluindo Caracas, além de áreas da Colômbia e do Norte do Brasil.

USGS estima elevado potencial de vítimas

O Serviço Geológico dos Estados Unidos também divulgou uma avaliação preliminar indicando que o desastre pode resultar em um número muito superior de vítimas.

Por meio do sistema automatizado PAGER, o USGS estima que o total de mortes possa ficar entre 10 mil e 100 mil pessoas, levando em consideração fatores como intensidade dos terremotos, profundidade, densidade populacional e vulnerabilidade das construções.

O órgão ressalta que a estimativa é baseada em modelos estatísticos e poderá ser atualizada à medida que as autoridades venezuelanas consolidem os dados oficiais.

As buscas por sobreviventes seguem ininterruptamente nas áreas mais afetadas, enquanto o governo monitora possíveis réplicas e amplia o atendimento às vítimas.