31 de julho de 2025
polêmica

Alvo da PF: Oposição mira em Tarcísio após liberação de consignado a banco de Edir Macedo

Banco Digimais teve R$ 670 milhões bloqueados e sofreu buscas; contrato com a PM de SP foi assinado em 2025 após veto inicial da Fazenda

Por Redação
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Governo Tarcísio liberou consignado a Digimais dois anos após veto - Foto: Reprodução

A operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (23) contra a cúpula do Banco Digimais abriu uma nova frente de desgaste político para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A oposição na Assembleia Legislativa (Alesp) já se mobiliza para explorar os laços entre o Palácio dos Bandeirantes e a instituição financeira que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

O foco da contestação está na reviravolta administrativa que garantiu ao banco o acesso à folha de pagamento do funcionalismo paulista. Em novembro de 2023, a Secretaria da Fazenda havia vetado o credenciamento do Digimais no Sistema de Consignação do Estado por descumprimento de exigências técnicas.

Contudo, em junho de 2025, a pasta de Gestão e Governo Digital, comandada por Caio Mário Paes de Andrade, reverteu a postura e autorizou a entrada da instituição no sistema. Três meses depois, em setembro, o banco selou um contrato válido até 2030 com a Polícia Militar de São Paulo, abrindo um mercado potencial de mais de 80 mil clientes da ativa, além de inativos.

Crise financeira crônica e socorro bilionário

A autorização governamental ocorreu no momento em que o Digimais enfrentava uma severa crise de liquidez, arrastada desde a pandemia de Covid-19 devido à alta inadimplência de sua carteira. Relatórios de auditoria indicavam que o patrimônio da instituição vinha sendo corroído, exigindo aportes emergenciais recorrentes do próprio Edir Macedo para evitar uma quebra técnica.

Em setembro de 2025, o prejuízo acumulado batia na casa dos R$ 250 milhões — rombo que saltou para quase R$ 500 milhões em fevereiro deste ano. O banco chegou a anunciar uma venda fracassada para o BlueBank (do ex-sócio do Banco Master, Maurício Quadrado) devido à resistência do Banco Central, até ser fechado um acordo de aquisição pelo BTG Pactual no início de abril.

A ofensiva da PF resultou no bloqueio judicial de R$ 670 milhões de dez alvos ligados à diretoria do Digimais e na quebra de sigilo do bispo Edir Macedo, que reside no exterior. O deputado estadual Antonio Donato (PT) confirmou que protocolará o pedido de convocação do secretário Caio Andrade na Alesp para esclarecer os critérios da liberação do serviço.

Estreitamento de laços com a Universal

O pano de fundo da polêmica envolve a forte conexão político-religiosa entre a gestão estadual e o comando da Universal. O Republicanos, partido de Tarcísio, é presidido pelo bispo licenciado Marcos Pereira, e a liderança do governo na Alesp é exercida pelo pastor Gilmaci Santos.

Paralelamente ao acordo financeiro, a PM paulista aprofundou a presença da igreja em seus batalhões por meio do programa Universal nas Forças Policiais (UFP). A corporação tem utilizado rotineiramente os templos da denominação para palestras institucionais e eventos de grande porte sobre saúde emocional com fundamentos bíblicos, com capelães da igreja atuando inclusive na Corregedoria e no presídio militar Romão Gomes.

O posicionamento do Estado

Em nota, o governo de São Paulo defendeu a legalidade da medida e minimizou o peso da instituição no sistema de crédito estadual, afirmando que o Digimais responde por apenas 1,57% do total de operações registradas em maio de 2026.

Segundo a gestão Tarcísio, o veto de 2023 ocorreu apenas por atraso na entrega de documentos. "Em 2025, o Banco Digimais apresentou novo pedido, devidamente instruído com a documentação exigida, resultando no deferimento em ato vinculado à conformidade normativa", justificou o Palácio dos Bandeirantes, acrescentando que o credenciamento obedece a critérios estritamente objetivos e que estuda medidas cautelares para proteger a integridade do sistema após a operação da PF.