31 de julho de 2025
FALSA PROMESSA E RASGA MORTALHA

PF mira grupo que levava brasileiros ilegalmente aos EUA e investiga sequestro de casal na fronteira com o México

Operações deflagradas em Minas Gerais resultaram em prisões, bloqueio de R$ 20 milhões em bens e apreensão de armas, munições e dinheiro

Por Redação
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Polícia Federal realizou operação contra grupo suspeito de promover migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (24) duas operações para aprofundar investigações sobre organizações criminosas envolvidas na promoção da migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. As ações, batizadas de Falsa Promessa e Rasga Mortalha, foram realizadas em Governador Valadares, em Minas Gerais, e tiveram como foco um grupo suspeito de atuar no contrabando de migrantes e em crimes relacionados ao sequestro de pessoas.

Segundo a PF, um dos principais alvos é considerado de alta periculosidade. As investigações apontam que ele teria participação em um esquema que resultou no sequestro de um casal de brasileiros na região da fronteira entre o México e os Estados Unidos.

De acordo com a corporação, as vítimas permaneceram em cárcere por mais de 30 dias e só foram libertadas após o pagamento de resgate. O investigado alvo do mandado de prisão preventiva possui registros de envolvimento em episódios de violência, incluindo ameaças com arma de fogo, violência doméstica, descumprimento de medida protetiva e um caso em que teria incendiado a motocicleta da ex-companheira.

A Operação Falsa Promessa cumpriu três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. Já a Operação Rasga Mortalha surgiu a partir do aprofundamento das investigações iniciais e permitiu a identificação de dois novos núcleos criminosos supostamente envolvidos no envio ilegal de brasileiros aos Estados Unidos.

Nessa segunda fase foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e mais um mandado de prisão preventiva.

Um dos investigados é apontado pela PF como responsável por coordenar rotas utilizadas para o transporte clandestino de migrantes na região de fronteira. As investigações indicam que ele realizou dezenas de viagens internacionais e possui imóvel no México, circunstâncias que reforçam a suspeita de atuação transnacional.

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e medidas patrimoniais que incluem o sequestro de imóveis e o bloqueio judicial de bens e valores.

Segundo a Polícia Federal, os bloqueios atingem cerca de R$ 20 milhões em patrimônio ligado ao grupo investigado.

Durante as diligências, os agentes apreenderam três armas de fogo, 650 munições de calibre .45, 70 munições de calibre 9 milímetros, 10 munições de calibre .38, além de um veículo, joias, relógios e aproximadamente R$ 60 mil em espécie.

As investigações também identificaram 89 novas pessoas que teriam sido levadas ilegalmente para os Estados Unidos por meio do esquema criminoso.

De acordo com a PF, os grupos atuavam de forma estruturada, organizando rotas internacionais, oferecendo suporte logístico no exterior e cobrando altos valores dos migrantes ou de seus familiares para viabilizar as viagens clandestinas.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados ao sequestro, cárcere privado e promoção da migração ilegal.