Hezbollah acusa Israel de violar cessar-fogo após ataque que matou dois civis no sul do Líbano
Grupo libanês afirma que disparos israelenses descumpriram acordo de trégua; governo de Israel mantém posição de atuar contra ameaças consideradas iminentes
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Dois civis morreram nesta terça-feira (23) após disparos atribuídos às tropas israelenses no sul do Líbano, segundo informações da Defesa Civil e do Ministério da Saúde libaneses. O episódio elevou a tensão na região e levou o Hezbollah a acusar Israel de descumprir o acordo de cessar-fogo que sustenta uma das mais longas pausas nos confrontos desde o início da guerra.
De acordo com autoridades locais, os tiros atingiram um grupo de pessoas que estava próximo a uma escavadeira utilizada na limpeza de uma estrada no bairro de Al-Deir, na cidade de Nabatieh al-Fawqa. A agência estatal de notícias do Líbano (NNA) informou que as vítimas estavam na área no momento dos disparos.
As mortes registradas nesta terça-feira são as primeiras no país desde domingo (21), em meio a uma trégua considerada a mais duradoura desde o agravamento do conflito regional.
Em comunicado, o Hezbollah afirmou que os dois mortos eram civis e classificou a ação israelense como uma violação direta do cessar-fogo. Apesar das acusações, o grupo apoiado pelo Irã não informou se pretende adotar medidas de retaliação.
O caso ocorre em um momento delicado para a estabilidade da região, enquanto mediadores internacionais tentam preservar os entendimentos firmados para evitar uma nova escalada dos confrontos.
O embaixador do Irã junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que qualquer descumprimento dos termos do acordo em território libanês pode comprometer os esforços diplomáticos em andamento.
Segundo o diplomata, os acontecimentos no Líbano têm impacto direto sobre todo o processo de negociação e exigem uma atuação mais firme dos Estados Unidos.
“O Líbano é uma parte inquestionável do acordo, e tudo o que acontece no país afeta todo o processo. Cabe aos Estados Unidos usar toda a sua influência sobre Israel para interromper os ataques contra o Líbano”, declarou Bahreini a jornalistas.
Nessa segunda-feira (22), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses mantêm liberdade total para agir diante de qualquer ameaça considerada iminente por parte do Hezbollah.
Segundo Netanyahu, as forças israelenses permanecerão em território libanês pelo tempo que julgarem necessário para garantir a segurança dos militares e da população israelense.
A declaração foi interpretada como um sinal de que Israel pretende manter uma postura militar ativa na fronteira, apesar dos acordos de cessar-fogo e das pressões internacionais por uma redução das hostilidades.