31 de julho de 2025
SAÚDE

Estudos sugerem que canetas emagrecedoras podem reduzir risco de progressão do câncer

Pesquisas com semaglutida e tirzepatida apontam benefícios em tumores de mama, pulmão, colorretal e fígado; evidências ainda são iniciais e não indicam uso para prevenção ou tratamento oncológico

Por Redação
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Estudos sugerem que agonistas de GLP-1 podem reduzir risco de progressão do câncer, mas evidências ainda são iniciais. - Foto: Freepik/Ilustração

Pesquisas iniciais sugerem que os medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, conhecidos como "canetas emagrecedoras", podem estar associados à redução do risco de progressão de alguns tipos de câncer. Estudos apresentados na ASCO 2026 indicaram benefícios principalmente em tumores de mama, pulmão, colorretal e fígado, mas os especialistas alertam que as evidências ainda são limitadas e não justificam o uso da medicação com essa finalidade.

A obesidade é reconhecida como fator de risco para diversos tipos de câncer. A perda de peso obtida por cirurgia bariátrica já havia demonstrado impacto positivo na prevenção da doença. Com a popularização dos agonistas do GLP-1, pesquisadores passaram a investigar se benefícios semelhantes poderiam ser observados com as canetas.

Em 2024, um estudo publicado no JAMA Network Open, com mais de 1,6 milhão de pessoas com diabetes tipo 2, encontrou associação entre o uso de agonistas de GLP-1 e menor probabilidade de desenvolver 13 tipos de câncer relacionados à obesidade.

Neste ano, um estudo apresentado na ASCO analisou dados de 12.112 pacientes com sete tipos de tumores associados à obesidade em estágios iniciais. Os resultados mostraram que, em quatro dos sete tipos de câncer avaliados, os pacientes que utilizavam agonistas de GLP-1 apresentaram menor risco de desenvolver metástases:

  • Pulmão: 10% dos usuários evoluíram para metástase, contra 22% do grupo controle
  • Mama: 10% contra 20%
  • Colorretal: 13% contra 22%
  • Fígado: 19% contra 28%

Isso representou uma redução entre 38% e 50% no risco de progressão para doença metastática nesses quatro tipos. Para tumores de próstata e rim, não houve benefícios significativos.

O nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein, afirmou que existe um racional biológico consistente para investigar impactos na oncologia, já que o câncer é uma doença metabólica. O oncologista André Paternò destacou que os resultados geram hipóteses importantes, mas não são definitivos.

Uma das principais limitações é que os estudos são retrospectivos, revisando dados já registrados, e não foram desenhados para responder a essa pergunta de forma prospectiva. Além disso, pacientes que usam essas medicações costumam ter acompanhamento médico mais frequente.

Os especialistas ressaltam que não há indicação formal para uso de semaglutida, tirzepatida ou outras "canetinhas" com o objetivo de prevenir ou tratar câncer. A indicação continua sendo para obesidade e diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento médico.

Em pacientes oncológicos, a preservação da massa muscular é tão importante quanto a perda de gordura, já que a caquexia está associada a piores desfechos. O uso dessas medicações, se indicado, deve ser individualizado e acompanhado de alimentação adequada e atividade física.