31 de julho de 2025
DIREITOS DAS MULHERES

Violência digital contra mulheres cresce 188% e já é a 5ª forma de agressão mais denunciada

Ligue 180 registrou mais de 16 mil ocorrências nos cinco primeiros meses de 2026; governo reforça capacitação de atendentes e lança campanha de conscientização

Por Redação
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Ministério das Mulheres também defende a aprovação do projeto que criminaliza a misoginia - Foto:

Os casos de violência digital contra mulheres registraram crescimento de 188,6% nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio, a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 contabilizou 16.725 ocorrências relacionadas a agressões praticadas em ambientes virtuais.

O aumento expressivo fez com que a violência digital passasse da sétima para a quinta posição entre os principais locais e contextos de agressão denunciados pelas mulheres brasileiras.

Entre os crimes registrados estão difamação, ameaças, perseguição virtual (stalking), invasão de contas, divulgação não autorizada de imagens íntimas, produção de conteúdos falsos por meio de inteligência artificial, descumprimento de medidas protetivas e até casos de estupro.

De acordo com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o crescimento dos registros demonstra a importância de ampliar a conscientização sobre as diversas formas de violência que podem ocorrer no ambiente digital e combater a subnotificação dos casos.

Como parte dessa estratégia, o ministério lançou a campanha “O digital é nosso lugar” e atualizou os protocolos de atendimento do Ligue 180. Desde o início de junho, as atendentes da central passaram a receber treinamento específico para orientar vítimas de violência virtual e aprimorar o registro das ocorrências.

Segundo a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, muitas mulheres procuram o serviço inicialmente em busca de orientação e nem sempre reconhecem que estão sendo vítimas de violência.

Dados do ministério mostram que apenas 30% dos contatos feitos ao Ligue 180 resultam em denúncias formais. A maior parte dos atendimentos tem caráter informativo e de acolhimento.

O perfil das vítimas indica que mulheres negras representam 48% dos registros de violência digital, seguidas por mulheres brancas, com 34,2%. A faixa etária mais atingida é a de 25 a 49 anos, responsável por 50,8% dos casos. Além disso, cerca de 46% das vítimas estavam sem renda ou recebiam até um salário mínimo quando procuraram ajuda.

Além do acolhimento, a central orienta as vítimas sobre a preservação de provas digitais, procedimentos para solicitar a remoção de conteúdos em plataformas online e os caminhos para formalizar denúncias criminais.

O Ministério das Mulheres também defende a aprovação do projeto que criminaliza a misoginia, considerado pela pasta uma ferramenta importante para fortalecer o combate às violências praticadas no ambiente virtual e ampliar a proteção às mulheres.