Nona fase da Compliance Zero cumpre mandados contra empresário Augusto Lima e Jaques Wagner
Augusto Lima já possui um histórico de medidas restritivas no âmbito desta mesma investigação
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de irregularidades financeiras e fraudes que levaram ao colapso do Banco Master. Entre os principais alvos de mandados de busca e apreensão estão o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, e o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado.
Augusto Lima já possui um histórico de medidas restritivas no âmbito desta mesma investigação. Ele chegou a ser detido na primeira fase da operação, permanecendo preso por 11 dias em novembro de 2025, e atualmente cumpre medidas cautelares sob monitoramento de tornozeleira eletrônica por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
As investigações apontam que, em outubro de 2025, num período em que o Banco Master já enfrentava uma grave crise institucional, Augusto Lima transferiu a incorporação de dois empreendimentos imobiliários de luxo na Bahia para a OR, braço imobiliário do grupo Novonor (antiga Odebrecht). Os projetos estavam atrelados à sua holding, a Terra Firme Realty S.A.
A transação ocorreu meses após o Banco Central barrar a venda do Banco Master ao BRB, culminando na liquidação extrajudicial da instituição financeira semanas depois. Além do Master, Lima também foi controlador do Banco Pleno, outra instituição que sofreu liquidação decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. O empresário é casado com Flávia Péres, ex-ministra do governo Bolsonaro.
Bloqueios milionários e cobranças judiciais
O cerco judicial contra o ex-sócio do Banco Master envolve cifras milionárias. Em abril de 2025, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de bens de Augusto Lima, localizando R$ 112 milhões aplicados em uma conta na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. — fundo que também foi liquidado pelo Banco Central em janeiro deste ano e que se tornou o foco central da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Além das ações criminais conduzidas pela Polícia Federal, o empresário e outros sócios vinculados ao controle do Banco Master enfrentam uma cobrança judicial de R$ 247 milhões, protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em dezembro de 2025.