31 de julho de 2025
CONCURSO PÚBLICO

MP investiga caso de concursados que esperam nomeação há 24 anos em Alagoas

Candidatos da reserva técnica denunciam demora nas convocações e apontam contratação de temporários em vagas que poderiam ser ocupadas por concursados

Por Redação
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A decisão foi anunciada pelo promotor de Justiça Coaracy Fonseca durante uma reunião com representantes da comissão da reserva técnica do concurso - Foto: MPE/AL

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) vai investigar a situação de candidatos aprovados no concurso da Saúde realizado pelo Governo de Alagoas em 2002 que, mais de duas décadas depois, ainda aguardam convocação.

A decisão foi anunciada pelo promotor de Justiça Coaracy Fonseca durante uma reunião com representantes da comissão da reserva técnica do concurso. O encontro aconteceu nessa terça-feira (16) e reuniu candidatos que afirmam esperar uma oportunidade desde a realização do certame, há 24 anos.

Segundo a comissão, menos de 400 candidatos da reserva técnica foram chamados ao longo desse período. Ao mesmo tempo, eles alegam que centenas de profissionais contratados temporariamente ou por terceirização atuam atualmente na rede estadual de saúde.

Durante a reunião, os representantes apresentaram documentos e dados que apontariam a existência de mais de 1.100 trabalhadores contratados de forma temporária em diferentes funções da área da saúde, enquanto cerca de 600 aprovados continuam aguardando uma convocação.

O promotor também informou que pretende acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para pedir esclarecimentos sobre um processo relacionado ao concurso que tramita sob sigilo na Justiça alagoana.

Ao comentar o caso, Coaracy Fonseca criticou a falta de acesso às informações e defendeu maior transparência.

“É absurdo que uma ação desse tipo permaneça em sigilo absoluto. A sociedade tem o direito de acompanhar questões que envolvem interesse público”, afirmou.

Entre os exemplos apresentados pelos candidatos está o cargo de farmacêutico. Segundo a comissão, apenas um aprovado foi convocado nos últimos anos, enquanto dezenas de profissionais contratados atuam na mesma função.

Situação semelhante teria ocorrido com psicólogos, área em que apenas dois aprovados teriam sido nomeados, apesar da existência de diversos profissionais contratados temporariamente.

O Ministério Público informou que vai analisar a documentação apresentada e cobrar explicações do Estado sobre a utilização de contratos temporários e a situação dos candidatos aprovados que seguem aguardando convocação.

Representantes da comissão afirmaram que a reunião representa um avanço após anos de tentativas para obter respostas sobre o caso.

“Durante muito tempo encontramos portas fechadas. Agora esperamos que a situação seja finalmente analisada e que possamos ter uma resposta concreta”, declarou a comissão.

A investigação segue em andamento e novas medidas poderão ser adotadas pelo MP nos próximos meses.