31 de julho de 2025
política

Celso Amorim defende regulação da IA e alerta para riscos das big techs à democracia

Diplomata afirma que concentração do poder tecnológico em poucas empresas ameaça a soberania dos países e exige maior regulação estatal

Por Redação
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Segundo Amorim, a concentração do desenvolvimento e do controle da IA pode gerar impactos significativos sobre a economia, a política e a sociedade. - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira (16) que o avanço da inteligência artificial sob o controle de um número reduzido de empresas representa um risco para a democracia e pode aprofundar as desigualdades sociais e econômicas no mundo.

Durante participação na Conferência de Segurança Internacional do Forte, realizada em Portugal, o diplomata defendeu uma atuação mais firme dos Estados na regulação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs.

Segundo Amorim, a concentração do desenvolvimento e do controle da inteligência artificial em poucas corporações, sediadas em um número restrito de países, pode gerar impactos significativos sobre a economia, a política e a sociedade.

“Hoje vemos como algumas empresas de inteligência artificial dominam setores inteiros, inclusive em países desenvolvidos”, afirmou.

O assessor destacou que os governos não devem abrir mão de sua capacidade regulatória, que, segundo ele, deriva da legitimidade conferida pelo voto popular. Para Amorim, o debate sobre a regulação das plataformas digitais tornou-se essencial diante da influência crescente das redes sociais na formação da opinião pública, na disseminação de desinformação e nas transformações do mercado de trabalho.

Durante sua participação no evento, promovido pela Fundação Konrad Adenauer em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais e a Delegação da União Europeia, Amorim também destacou a importância da proteção de dados para a soberania nacional.

Segundo ele, os ataques cibernéticos tornaram-se cada vez mais frequentes e exigem investimentos em segurança digital e resiliência cibernética.

O diplomata ressaltou que os dados assumiram papel estratégico no século 21, servindo de base para modelos de inteligência artificial, decisões governamentais e operações de monitoramento em larga escala. Nesse contexto, defendeu atenção especial à proteção de bases de dados sensíveis, como as do Sistema Único de Saúde.

Ao abordar os desafios do desenvolvimento tecnológico, Amorim defendeu que a inovação seja direcionada para objetivos coletivos, como a redução da pobreza, a proteção ambiental e a garantia dos direitos humanos.

O assessor também criticou as desigualdades globais e afirmou que o avanço tecnológico deve contribuir para melhorar as condições de vida da população, em vez de ampliar disparidades econômicas.

Outro ponto destacado pelo diplomata foi a crescente utilização da inteligência artificial em cenários de guerra. Amorim alertou para os riscos associados ao desenvolvimento de armas autônomas e ao emprego de tecnologias capazes de ampliar o potencial destrutivo dos conflitos.

Segundo ele, a automatização de sistemas militares pode reduzir o senso de responsabilidade humana diante da morte e da destruição causadas em operações bélicas.

Ao comentar os conflitos em andamento no Oriente Médio, o assessor afirmou que o Brasil precisa investir em sua capacidade de defesa e em mecanismos de dissuasão, acompanhando as transformações tecnológicas que vêm redefinindo os cenários de segurança internacional.