31 de julho de 2025
ABSURDO

Sem acordo e sob polêmica: MPT encerra negociação e procurador vê conduta "criminosa" da Sesau com a Santa Casa de Maceió

Com dívida acumulada, Secretaria de Saúde de Alagoas tenta parcelar repasses em 41 meses; Ministério Público do Trabalho aponta favoritismo a hospitais de portas fechadas enquanto Maternidade Nossa Senhora da Guia sofre com falta de verbas

Por Redação
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Sesau deve 41 meses de repasses à Santa Casa de Maceió - Foto: Reprodução

Se a situação da saúde pública em Alagoas já andava sob forte tensão, o clima azedou de vez. A tentativa de conciliação entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e a Santa Casa de Misericórdia de Maceió terminou em um impasse preocupante. Mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-AL), a audiência foi encerrada sem nenhum acordo, deixando exposta uma crise financeira profunda que atinge em cheio os trabalhadores do setor e, claro, o cidadão que depende do SUS.

A proposta levada pela Sesau foi classificada como um verdadeiro balde de água fria. Se antes o Estado acenava com o pagamento dos débitos com a Maternidade Nossa Senhora da Guia em 14 meses, a nova oferta esticou esse prazo para inacreditáveis 41 meses. O detalhe que revoltou os mediadores é que o atual mandato do governo estadual se encerra em dezembro de 2026, ou seja, a gestão tentou empurrar uma conta milionária para os próximos governantes.

Procurador do Trabalho solta o verbo contra o Estado

O procurador do Trabalho, Rodrigo Alencar, não poupou críticas e usou palavras duríssimas para descrever o comportamento da pasta. Para ele, o desfecho foi decepcionante e revelou uma completa falta de boa vontade e negligência por parte do governo.

"A proposta de hoje foi de pagamento em 41 meses. E a gente sabe que a atual gestão se encerra em dezembro do corrente ano. É uma proposta acintosa. O Ministério Público do Trabalho se viu obrigado a encerrar o processo de negociação por falta de boa vontade da Sesau", desabafou Rodrigo Alencar.

O procurador foi além e apontou uma grave distorção no uso do dinheiro público, com indícios que ferem de frente as leis de moralidade e impessoalidade. Enquanto a Sesau alega que a Santa Casa custa caro e não tem recursos, os dados do próprio Portal da Transparência mostram um cenário bem diferente. Segundo Alencar, o Estado tem feito repasses mensais vultosos para outros hospitais — alguns que estão até de portas fechadas, mas que já embolsaram quase R$ 20 milhões neste ano —, enquanto a Santa Casa de Maceió recebeu pouco mais de R$ 150 mil no mesmo período.

Sobrou para o paciente: Maceioenses precisam viajar para conseguir atendimento

Para o MPT, essa preterição de instituições históricas e essenciais em favor de outras que prestam serviços muito menores configura uma conduta "até certo ponto criminosa" por parte da Secretaria de Saúde. E como sempre acontece quando a corda estica, quem paga a conta mais alta é a população.

Com o sufocamento financeiro da Santa Casa e da Maternidade Nossa Senhora da Guia, os atendimentos na capital estão minguando. O reflexo prático desse descaso é que moradores de Maceió agora estão sendo obrigados a se deslocar até o município de Coruripe, no Litoral Sul, para conseguir realizar procedimentos médicos que antes eram feitos pertinho de casa. Sem diálogo e com o MPT fora da mesa de negociação, a crise da saúde alagoana ganha um capítulo sombrio e caminha a passos largos para os tribunais.