Sindicato dos Médicos cobra esclarecimentos sobre situação das UPAs administradas pelo Estado em Maceió
Relatos apontam salários atrasados, escassez de remédios e equipamentos quebrados nas unidades de saúde do Tabuleiro e Jacintinho
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O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL) afirmou ter recebido denúncias que revelam uma série de problemas estruturais e administrativos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Tabuleiro do Martins e do Jacintinho, em Maceió. As unidades, que estão sob responsabilidade do Governo de Alagoas, enfrentariam desde falta de medicamentos e equipamentos quebrados até atrasos salariais de profissionais da saúde.
De acordo com os relatos encaminhados ao sindicato, as duas UPAs convivem com a escassez de insumos considerados essenciais para o atendimento da população. Entre os itens apontados estão medicamentos para controle da dor, como tramadol e morfina, além da falta de antibióticos e materiais utilizados em procedimentos de sutura.
As denúncias também indicam a ausência de médico ortopedista durante o período noturno, o que comprometeria o atendimento de pacientes com traumas e fraturas. Outro problema relatado é a quebra dos equipamentos de raio-X, além da falta de funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado nos consultórios há cerca de seis meses.
Pacientes permanecem internados por longos períodos
Segundo o Sinmed, os relatos apontam ainda que pacientes estariam permanecendo internados por períodos superiores ao previsto para o funcionamento das UPAs.
Criadas pelo Ministério da Saúde para prestar atendimento de urgência e emergência, essas unidades foram projetadas para observação e estabilização de pacientes por até 48 horas, antes de eventual transferência para hospitais da rede pública.
De acordo com as denúncias recebidas pela entidade, a insuficiência de médicos plantonistas também estaria contribuindo para a sobrecarga dos serviços e para dificuldades no atendimento à demanda da população.
Sindicato cobra providências
A presidente do Sinmed/AL, Sílvia Melo, classificou os problemas relatados como graves e afirmou que a situação compromete tanto as condições de trabalho dos profissionais quanto a assistência oferecida aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Os problemas relatados nessas duas UPAs são graves e comprometem a assistência à população. Não podemos aceitar que médicos trabalhem sem condições adequadas, com perdas de salários, e que a população seja prejudicada pela falta de insumos e de profissionais. Vamos cobrar respostas e soluções urgentes”, declarou.
Médicos relatam atrasos salariais
Outro ponto destacado pelo sindicato envolve o atraso no pagamento dos médicos que atuavam nas unidades.
Segundo as denúncias, ao longo de 2025 os profissionais enfrentaram pagamentos irregulares, com atrasos que chegaram a acumular até três meses.
O Sinmed afirma que os problemas teriam ocorrido durante o período em que as UPAs eram administradas por uma Organização Social (OS) contratada pelo Estado. Ainda conforme os relatos recebidos pela entidade, a gestão financeira teria sido posteriormente repassada para outra organização, situação que pode configurar quarteirização dos serviços.
Quem vai pagar a dívida?
Em abril deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) assumiu diretamente a administração das UPAs do Tabuleiro e do Jacintinho. No entanto, o sindicato cobra esclarecimentos sobre o pagamento dos salários atrasados referentes ao período de gestão terceirizada.
Para a entidade, é necessário definir quem será responsável pela quitação dos débitos trabalhistas acumulados antes da retomada da gestão direta pelo Estado.
“É muito preocupante que unidades de saúde responsáveis pelo atendimento de urgência e emergência enfrentem falta de medicamentos, dispensa de profissionais e atrasos salariais recorrentes. O Sinmed/AL vai cobrar esclarecimentos e providências imediatas para garantir condições dignas de trabalho aos médicos e um atendimento seguro à população”, afirmou Sílvia Melo.