31 de julho de 2025
POLÍTICA MUNDIAL

Lula reage a críticas dos EUA e diz que Trump não age de forma "civilizada"

Presidente afirmou que Brasil quer "respeito" nas negociações comerciais e usou queda do desmatamento na Amazônia para rebater acusações do governo norte-americano

Por Redação
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Lula afirmou que o Brasil terá de responder às alegações dos Estados Unidos com comparações e dados concretos - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (11), a postura adotada pelos Estados Unidos nas disputas comerciais envolvendo o Brasil e afirmou que está negociando com alguém que “não se comporta de forma civilizada”. A declaração foi feita durante evento de divulgação dos novos dados de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump em um primeiro momento, Lula afirmou que o Brasil precisará responder às acusações norte-americanas com dados e comparações. “Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro pra negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, declarou.

O presidente também disse já ter tratado do assunto diretamente com Trump e afirmou que o objetivo do governo brasileiro é demonstrar que as acusações feitas pelos Estados Unidos não correspondem aos fatos.

“Não quero guerra com você. Minha guerra é narrativa. Provar que estamos certos e você está errado. Que você não foi eleito pra ser imperador do mundo, dizer o que quiser e as pessoas ficarem quietas. Com o Brasil não é assim. A gente não quer briga, a gente quer respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, afirmou Lula.

As declarações ocorrem em meio às críticas do governo norte-americano ao sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais e à política ambiental brasileira. Segundo Lula, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) serão enviados às autoridades comerciais dos Estados Unidos para contestar as alegações sobre o desmatamento na Amazônia.

“Nós vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos EUA, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com taxação maior, e comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos EUA”, disse.

De acordo com o Inpe, o desmatamento na Amazônia caiu 61,4% em maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. O acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026 também registrou redução de 37,5%, totalizando 2.189 quilômetros quadrados desmatados.

Lula voltou a contestar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para possíveis sanções comerciais contra o Brasil. “Eles mentiram a primeira vez, que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinham déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit. E agora com esse negócio que eles falaram do desmatamento”, afirmou.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, também saiu em defesa dos resultados ambientais brasileiros. Segundo ele, os números divulgados pelo Inpe enfraquecem as acusações feitas pelo governo norte-americano.

“Estamos trabalhando pra ter o menor número final da série histórica da Amazônia. Isso põe por terra definitivamente a acusação dos EUA, que incluiu desmatamento na Amazônia como medida de imposição de tarifas”, declarou o ministro.

O governo brasileiro afirma que continuará utilizando os indicadores ambientais como argumento nas negociações comerciais com os Estados Unidos e mantém a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.