Sem liderança e engolido por caciques, Paulo Dantas caminha para fim de mandato enfraquecido
Governador cede a pressões de Marcelo Victor e Renan Filho, fica sem espaço para aliados diretos na Assembleia e perde força política em Alagoas
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O atual cenário político em Alagoas escancara o momento de isolamento e fragilidade vivido pelo governador Paulo Dantas (MDB). Sem força para impor suas próprias vontades e ditar os rumos do seu grupo, o chefe do Executivo estadual caminha para a reta final do seu ciclo no Palácio República dos Palmares nítida e politicamente enfraquecido, mostrando-se incapaz de projetar novas lideranças ou manter sua relevância.
Essa falta de prestígio ficou evidente nas costuras para as próximas vagas da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Paulo Dantas acabou sendo o elo mais fraco de uma queda de braço com os verdadeiros comandantes da política alagoana e teve que ceder, sem choro, à pressão de um acordo amarrado pelo presidente da Casa, Marcelo Victor, e pelo ministro Renan Filho, este último totalmente focado em pavimentar o seu próprio retorno ao governo.
O recuo forçado interrompe uma sequência familiar que começou com dois mandatos de Luiz Dantas, pai do governador, e que hoje é ocupada por Carla Dantas. A deputada, inclusive, encerra sua passagem pelo Legislativo estadual de forma apagada e sem nenhum destaque político, deixando o caminho livre para que o clã apoie um nome de fora, o de Paulinho Mendonça, numa tentativa de não perder totalmente o espólio na região.
Ao ser engolido pelas estratégias dos caciques do MDB e aliados, Paulo Dantas expõe que virou um figurante na própria gestão. Ele perdeu a chance de consolidar um bloco sólido de apoio na Casa de Tavares Bastos e agora assiste, de camarote, o seu capital político derreter diante de um grupo que já planeja o futuro do estado sem levar suas prioridades em consideração.