Deolane movimentou R$ 140 milhões e usou Pix para lavar dinheiro do PCC, afirma Ministério Público
Influenciadora foi presa no mês passado sob a suspeita de atuar como operadora financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC)
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) detalhou as condutas que motivaram o pedido de manutenção da prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, denunciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na peça acusatória apresentada pelo promotor Lincoln Gakiya, o órgão aponta a criação de empresas de fachada e o uso excessivo e fracionado de transferências via Pix para dissimular mais de R$ 140 milhões movimentados entre julho de 2022 e maio de 2024.
Deolane foi presa no mês passado sob a suspeita de atuar como operadora financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia também engloba a cúpula da facção, incluindo o líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, além de seu irmão, sobrinhos e o operador financeiro Everton de Souza, o "Player".
Em nota assinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha, Rogério Nunes e Luiz Ricardo Imparato, a defesa de Deolane Bezerra afirmou que ainda não teve acesso à acusação, mas reiterou que ela "não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo".
Empresas falsas e "pulverização" via Pix
De acordo com as investigações do MPSP, as empresas em nome de Deolane funcionavam em imóveis sem estrutura operacional condizente e não possuíam movimentação bancária declarada que justificasse os valores. A Promotoria alega que ela utilizava sua imagem pública e o engajamento nas redes sociais para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos da facção. No entanto, na documentação bancária analisada, não foram encontrados contratos formais de publicidade ou comprovantes de honorários advocatícios.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também acenderam alertas ao identificar uma tática de "pulverização" de depósitos, com fracionamento de valores por meio de transferências instantâneas (Pix) incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos.
Um dos pontos centrais da denúncia para rebater a tese de que a influenciadora mantinha contatos fortuitos são fotos publicadas nas próprias redes sociais. O MPSP anexou registros de Deolane ao lado de Francisca Alves da Silva, companheira do irmão de Marcola, além de imagens com sobrinhos e enteados do líder do PCC. Para os investigadores, as imagens revelam uma "convivência reiterada em ambientes privados e sociais".
Histórico de prisões
Atualmente, Deolane Bezerra está custodiada na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ela foi presa na capital paulista em 21 de maio de 2026, em sua mansão localizada em um condomínio de luxo em Barueri.
Esta é a segunda prisão preventiva da influenciadora em menos de dois anos. Em setembro de 2024, ela já havia sido detida no Recife (PE) durante uma operação da Polícia Civil pernambucana contra lavagem de dinheiro ligada a jogos de azar ilegais e plataformas de apostas online (bets).
Diante dos riscos de expansão internacional da facção, o MPSP solicitou à Justiça a continuidade da prisão de todos os denunciados, além do sequestro de bens e bloqueio do patrimônio incompatível com as rendas lícitas declaradas.