31 de julho de 2025
presa por estelionato e falsa identidade

Mulher de 38 anos que se passava por criança de 12 em SC também passou por abrigos do Recife

Em julho de 2023, Amanda foi acolhida pelo serviço de abordagem social do Recife sob o nome falso de "Gabrielly Souza de Oliveira"

Por Redação
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Em julho de 2023, Amanda foi acolhida pelo serviço de abordagem social do Recife sob o nome falso de "Gabrielly Souza de Oliveira" - Foto: Reprodução

A cearense Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, presa em Santa Catarina após se passar por uma criança de 12 anos para ser adotada, já havia aplicado o mesmo golpe em Pernambuco. Segundo a Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome (SAS) da Prefeitura do Recife, a mulher, que agora é ré por estelionato e falsa identidade, passou por dois abrigos e um Centro Pop da capital pernambucana em 2023 utilizando a mesma farsa.

Em julho de 2023, Amanda foi acolhida pelo serviço de abordagem social do Recife sob o nome falso de "Gabrielly Souza de Oliveira", afirmando ter 12 anos. Inicialmente, ela foi levada ao Abrigo Noturno Irmã Dulce dos Pobres. Por se tratar de um espaço exclusivo para adultos, o Conselho Tutelar foi acionado e a transferiu para a Casa de Acolhida Raio de Luz, uma unidade voltada para adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Inconsistências e "comportamento teatral"


Durante o acolhimento, a equipe técnica do abrigo identificou graves contradições nas histórias contadas por Amanda. O caso foi levado à Polícia Civil, onde um boletim de ocorrência foi registrado, mas ela acabou liberada.

Cerca de 10 dias depois, a mulher reapareceu no Centro Pop José Pedro, em Boa Viagem, desta vez afirmando ter 18 anos para conseguir vaga no equipamento de adultos. No entanto, o comportamento pueril chamou a atenção dos psicólogos.

"Chamava a atenção o comportamento muito infantilizado dela. Na época, ela ficava com um ursinho debaixo do braço", revelou uma psicóloga que atendeu a suspeita no Recife. "Parecia um esforço muito grande, a gente percebia que tinha um teatro ali. Ela também demonstrava irritabilidade quando falávamos em emitir documentos."

Após cruzamento de dados, os funcionários descobriram que se tratava da mesma pessoa que havia fingido ser criança dias antes. Ao ser descoberta, Amanda fugiu do local por iniciativa própria.

Histórico de golpes pelo Brasil


Amanda foi presa preventivamente no dia 2 de junho deste ano em Joinville (SC), onde conseguiu viver por 14 meses como filha adotiva de uma família local. Para sustentar a farsa, ela mantinha hábitos como o uso de chupetas, mamadeiras e alegava que sua aparência física mais velha era resultado de "hormônios que foi forçada a tomar na infância". Ela também dizia ser autista e ter fugido de abusos no Pará.

A farsa evitou até que ela frequentasse a escola: a mulher convenceu os pais adotivos de que, se fosse matriculada, seu suposto "pai abusador" a encontraria.

De acordo com as investigações da Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda confessou os crimes e já havia adotado o mesmo modus operandi em pelo menos outros seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará. A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público e determinou que a ré passe por um exame de sanidade mental.