TSE adia decisão sobre pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro; julgamento está 1 a 0 pela suspensão
Pedido de vista da ministra Estela Aranha interrompeu análise do caso; pesquisa da AtlasIntel segue suspensa por decisão liminar
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou nesta terça-feira (9) o julgamento que analisa a suspensão de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel sobre a corrida presidencial de 2026. O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha.
Até o momento, o placar está em 1 a 0 para manter a suspensão da pesquisa, conforme voto do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Ainda não há data definida para a retomada da análise.
A pesquisa questionada foi divulgada em 19 de maio e apontou uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O levantamento foi suspenso após ação apresentada pelo Partido Liberal (PL).
Ao votar, Kassio Nunes Marques reafirmou o entendimento de que existem indícios de comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa.
Segundo o ministro, o questionário utilizado pela AtlasIntel teria apresentado uma sequência de perguntas relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, além da exibição de conteúdos que poderiam influenciar as respostas dos entrevistados.
“Há elementos consistentes que apontam possível comprometimento da neutralidade metodológica do levantamento”, afirmou o magistrado durante a sessão.
Com a liminar em vigor, a pesquisa permanece proibida de ser divulgada, republicada ou impulsionada nos canais oficiais da AtlasIntel e nas redes sociais.
Durante o julgamento, o advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, afirmou que o PL não apontou qualquer irregularidade formal prevista na legislação eleitoral para pesquisas de opinião.
Segundo ele, a ação questiona apenas a metodologia utilizada pelo instituto ao abordar fatos políticos de conhecimento público envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master.
Já a advogada do PL, Maria Claudia Bucchianeri, sustentou que o levantamento apresentou falhas graves ao não disponibilizar integralmente o material utilizado junto aos entrevistados.
Ela argumentou que um vídeo exibido durante a pesquisa não foi anexado ao processo nem transcrito, comprometendo a transparência do levantamento.
Durante a discussão, o ministro Dias Toffoli levantou um debate que pode influenciar futuras pesquisas eleitorais no país.
Segundo ele, o TSE precisará definir limites claros sobre a utilização de vídeos, áudios e outros conteúdos durante entrevistas de intenção de voto.
“Vamos decidir o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada? Qual é o limite entre informação e indução?”, questionou o ministro.
A decisão final do TSE poderá estabelecer novos parâmetros para a realização e divulgação de pesquisas eleitorais nas eleições presidenciais de outubro de 2026.