31 de julho de 2025
ALAGOAS

Duplicação da BR-316 deixa mais de 90 famílias sob ameaça de despejo em Palmeira dos Índios

Moradores dizem que receberam prazo de apenas 30 dias para deixar imóveis e denunciam falta de indenização após avanço da obra defendida por Renan Filho

Por Redação
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Mais de 90 famílias podem perder casas por obra defendida por Renan Filho. - Foto: Frame/Francês News

Mais de 90 famílias que vivem às margens da BR-316, na Avenida Muniz Falcão, em Palmeira dos Índios, enfrentam a possibilidade de perder suas casas após receberem notificações determinando a desocupação dos imóveis em até 30 dias. Segundo os moradores, nenhum deles recebeu indenização ou alternativa habitacional por parte dos governos federal, estadual ou municipal.

A situação ocorre em meio às obras de duplicação da BR-316, projeto que ganhou destaque durante a gestão do então ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), hoje apontado como pré-candidato ao Governo de Alagoas. A duplicação foi apresentada como uma intervenção estratégica para melhorar a mobilidade e reduzir acidentes na região.

Agora, além dos transtornos provocados pela obra, moradores afirmam viver um drama social sem resposta das autoridades.

“Quando nós compramos isso aqui não foi de graça. Tenho escritura, pago IPTU, pago taxa de iluminação. Agora dizem que temos 30 dias para sair e não apresentam solução nenhuma. Vamos para onde?”, questionou uma moradora.

Outra residente relatou o impacto emocional causado pela ameaça de despejo.

“Eu chorei muito. Estou sem conseguir comer, minha ansiedade aumentou. Minha filha é autista e também sofre com essa situação. A gente não quer impedir a obra, só quer uma solução. Não queremos morar na rua”, desabafou.

Obra acumula problemas

A duplicação da BR-316 já vinha sendo alvo de reclamações por parte dos motoristas devido a trechos com desníveis, falta de sinalização e períodos de paralisação das obras. Agora, a situação das famílias amplia a pressão sobre os responsáveis pelo empreendimento.

Os moradores afirmam que não são contra a duplicação da rodovia, mas cobram transparência e respeito aos direitos de quem vive na área há décadas.

“Se a obra precisa passar por aqui, que seja feita. O que não pode é deixar mais de 90 famílias sem casa e sem indenização. Queremos saber para onde vamos”, afirmou outro morador.