MPF investiga falta de água crônica no Bom Parto e Farol e fará vistoria técnica nas residências
De acordo com a comunidade, a crise teve início após modificações estruturais feitas na rede de distribuição nos últimos anos
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O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas deu início a uma apuração para investigar graves problemas no abastecimento de água que afetam moradores do bairro do Bom Parto e do Farol, em Maceió. O foco principal da queixa são os imóveis situados na Ladeira José Cardoso da Silva. O procedimento faz parte do acompanhamento institucional sobre os impactos do desastre socioambiental provocado pela mineração da Braskem na capital.
Durante reunião conduzida pelas procuradoras da República Júlia Cadete e Roberta Bomfim, líderes comunitários relataram que dezenas de residências enfrentam interrupções frequentes e que algumas famílias estão há semanas sem uma gota d'água nas torneiras. De acordo com a comunidade, a crise teve início após modificações estruturais feitas na rede de distribuição nos últimos anos, implementadas em decorrência do processo de afundamento do solo na região.
Os relatos apresentados ao MPF apontam que o desabastecimento é severo na Ladeira José Cardoso da Silva e intermitente em outras áreas do Bom Parto, penalizando sobretudo os moradores que residem nas localidades mais elevadas.
Entre os transtornos diários, os moradores descreveram a necessidade de passar a madrugada acordados para tentar armazenar o mínimo de água possível, os gastos extras e imprevistos com a compra de água mineral, além de restrições severas em atividades domésticas básicas, como higiene e alimentação.
Vistoria técnica nas residências
O MPF informou que já notificou a concessionária responsável pelo saneamento e recebeu uma resposta inicial. Contudo, diante da gravidade dos novos relatos levados pelos moradores, as procuradoras decidiram aprofundar as investigações e determinaram a realização de uma inspeção em campo.
A fiscalização e coleta de dados serão coordenadas pelo setor de diligências da Seção de Segurança Orgânica e Transporte (Sesot) do MPF. Técnicos do órgão farão uma visita em campo para medir a regularidade do fornecimento e produzir um relatório minucioso, que servirá de base para as próximas medidas jurídicas e institucionais contra os responsáveis.
Ficou acordado como encaminhamento que os próprios representantes dos bairros farão uma lista com as residências localizadas em diferentes trechos da ladeira para guiar os técnicos do MPF durante a vistoria.